Capítulo 168
Manuela Strondda
Ignorei a frase inteira.
Fiz exatamente o que sabia fazer melhor quando alguém tentava me dar ordens demais: empurrei a maca.
As rodas rangem baixo no piso liso enquanto avanço, o corpo alinhado, postura firme, como se aquela cena fosse só mais um turno comum. Como se eu não tivesse acabado de quebrar alguém por dentro e por fora.
— Finja que sofre, caralho. — Hugo rosna atrás de mim.
Antes que eu possa responder, a mão dele se fecha no meu braço. Não é violento. É firme como se fosse meu dono.
— Tenho uma imagem a zelar aqui dentro.
Bufo pelo nariz, irritada, mas sei que ele fala sério. Hugo Lindström não construiu um império hospitalar, e algo muito maior por trás dele, deixando rastros visíveis.
Abaixo a cabeça.
Passo o dorso do pulso pelo rosto, como se estivesse limpando lágrimas invisíveis. Finjo pressa. Finjo preocupação. Finjo humanidade. A mandíbula trava, mas o teatro entra no lugar.
— Pra onde estamos indo? — pergunto en