Mundo de ficçãoIniciar sessãoVanesey de Hert é uma pirata audaz que, após anos navegando por mares distantes, retorna às Ilhas de Desmond, obedecendo à ordem dos senhores de seu clã. Sua missão: resgatar Jenier, um homem que possui um mapa para uma terra inexplorada, destinada a abrigar seu povo. No entanto, a situação se complica quando a Ilha Cratera é ameaçada pelo capitão Jack Loude, um temido inimigo dos piratas, que trava uma guerra contra eles sob as ordens do poderoso Richard Henke.
Ler maisJá passavam das dezoito horas, quando minha mãe chegou de frente ao portão de casa gritando.
— Aurora, Aurora! — Apareci mais que depressa, ela carregava diversas sacolas em mãos. — Anda logo menina burra, não vê que está pesado? Minha mãe estava com a cara de péssimo humor, como sempre, Sandro devia ter feito ou falado algo que não tenha gostado, e com certeza, no final de tudo, ela iria descontar em mim sua frustração. — Estas são as compras do mês, arrume tudo no devido lugar, sabe que o Sandro odeia bagunça, e mais uma coisa! Não pegue nada sem permissão, quando tiver fome, me avisa que separo algo para você. — Nossa, não posso pegar algo sozinha para comer em minha própria casa? — Cala a boca, menina, ou quebro seus dentes, por conta dessas suas piadinhas. Sabe que aqui nestas compras não tem um centavo seu, você não ajuda em nada nesta casa. — Quero trabalhar, mas acabo tendo que olhar a Alice para você. De repente, só sinto um tapa no meio do rosto. As garras de minha mãe já estavam soltas. — Você não, SENHORA! Acha que está falando com suas amiguinhas da rua? Estou cansada de sua desconsideração, eu sou sua mãe, se quiser viver aqui dentro desta casa, terá que aprender como se trata os mais velhos, e colocar esse rabinho entre as pernas. — E para onde eu iria? — Falo entre o choro, já era o segundo tapa na cara que recebia na semana. — Só tenho a senhora neste mundo e mesmo assim, é como se não tivesse, depois que a senhora se juntou com o Sandro, só me maltrata e o pior, deixa-o fazer o mesmo! Já fazia quatro anos que meu pai havia morrido, um ano após, minha mãe arrumou um novo namorado. Com dois meses já estavam morando juntos, pois ela havia engravidado da Alice, minha irmã a quem tomo conta para que eles trabalhem fora. Depois que nos mudamos para a casa dele, ele nunca mais foi com a minha cara. Não trocava palavras comigo, apenas quando iria reclamar de algo que sumiu da geladeira, ou me dar ordens para arrumar as coisas quando algo estava fora do lugar na casa. Minha mãe é cega por ele, de amor e de ciúmes, acho que por isso ela me trata assim. Acho, não, tenho certeza, tanto que, quando é dia de folga dele, ela me põe para ficar fora de casa o dia inteiro e só posso voltar quando ela chega do trabalho. — Está achando ruim? Se é ele que coloca tudo dentro desta casa, você deveria era ajoelhar todos os dias aos pés dele e agradecer. Agora, para esse seu showzinho, ou perderei o resto da paciência que tenho com você. Dê banho na Alice agora, pois sairemos. — Para onde iremos? — Você não, só nós, esqueceu de que a casa está uma bagunça? Aproveita que não estaremos por aqui e dá uma lavada no chão! — Era sempre assim, eles saíam um dia antes da folga do Sandro, nunca me levavam, e de brinde me faziam de gata-borralheira. — Não esquece que amanhã é dia de você sair, Sandro vai ficar olhando a Alice e você pode aproveitar o seu dia. Ela falava em aproveitar o meu dia, mas, na verdade, ela não queria que eu ficasse em casa com ele sozinha. Ao invés de ter medo dele fazer algo comigo, ela tinha medo de eu dar em cima dele. Minha mãe não entendia, que, na verdade, eu tinha era nojo, não o suportava com aquela cara nojenta me olhando de canto pela casa. O lado bom era que eu ganhava um dinheirinho, como Sandro e mamãe ficavam fora o dia inteiro, aproveitava e fazia lacinhos de cabelo para crianças na semana, e no dia da folga dele, que era na sexta, eu vendia. Passava em frente de creches, escolas e maternidades, o dinheiro que ganho, compro outros materiais, e guardo o lucro, não gasto um centavo. Estou guardando para quando tiver uma boa quantia ir embora daqui, lógico que eles não sabem disso, se não, já teriam tirado todo o dinheiro de minhas mãos. Uma vez, na sexta-feira, que ia saindo de casa, não sei o que tocou a minha mãe, mas ela me deu cem reais, disse para que comprasse algo de que gostasse, isso foi bem no começo, quando ela estava grávida ainda. Então pensei comigo, ou gasto este dinheiro com algo fútil e ele acaba, ou o invisto e o faço render, foi o que fiz! Comprei algumas fitas, cola quente, pérolas e comecei a fazer laços, tudo com ajuda dos tutoriais da internet, escondia bem todo o material, no dia em que saía, colocava em uma mochila e vendia, graças a isso, já tenho 1.800 reais guardados. Só estou esperando completar meus 18 anos para poder ir embora daqui. Quero me mudar de cidade, arrumar um emprego, alugar uma quitinete, prestar vestibular e fazer uma faculdade. Sei que concretizar esse sonho será difícil, mas não vejo outra escolha a não ser essa e me arriscar na vida. Se continuar nesta casa, nunca poderei entrar numa faculdade ou arrumar um emprego remunerado, já que meu trabalho aqui, na cabeça do Sandro e da minha mãe, já era pago com moradia e comida regrada. Já era noite quando todos saíram, logo tratei de arrumar na mochila minhas coisas para vender, colocava meu dinheiro dentro dela também. Era perigoso ser assaltada na rua, mas tinha mais medo de ser assaltada em casa, pois desconfiava de que, quando saía, minha mãe vasculhava as minhas coisas. Depois de tudo arrumado, liguei para Isadora, a única amiga que tinha. — Oi, Isa, como estão os preparativos para a viagem? — Isadora vai se mudar para outro estado, ela irá morar com a tia, já que havia ganhado uma bolsa de estudos em uma das melhores universidades de medicina do país. Nos conhecemos no ensino fundamental, e de lá para cá nos tornamos melhores amigas. Nosso plano era entrarmos juntas na faculdade, mas, ano passado, quando terminei o ensino médio, minha mãe não me deixou prestar o vestibular, pois me disse que seria para cuidar da minha irmã, dizia que pagar babá seria dinheiro jogado fora, já que tinha uma filha desocupada em casa. Fiquei muito triste, arrasada para falar a verdade, pois sabia que também tenho capacidade de ganhar uma bolsa de estudos. Sempre fui muito estudiosa, tirava notas altas, meu pensamento desde que meu pai faleceu era estudar e me formar na área da medicina e dar um futuro melhor para minha mãe, mas daí veio o Sandro, e ela mudou completamente sua atitude comigo. Deixou todo o carinho e amor que tinha por mim se transformar em xingamentos, agressão e desrespeito, tudo por um ciúme doentio, que ela não assumia diretamente, mas conseguia vê-lo em cada atitude hostil para comigo. — Já está tudo pronto, minha mala está arrumada, irei amanhã às 16:00, você aparecerá para se despedir, não é mesmo? — Claro, esqueceu de que amanhã é meu dia de folga? — Ironizei. — Estou tão triste que não estaremos mais juntas, queria tanto que continuássemos unidas na faculdade. — Nem me fala nada, pois meu coração está partido. Mas estou feliz por você, será uma ótima cardiologista. — Sinto tanto por você, amiga, espero que quando você fizer seus dezoito, não fique nem mais um dia por aí. — E não ficarei, só faltam dois meses. E o que são dois meses perto de todos esses anos que passei? — Para onde você vai? — Ainda não faço ideia, mas planejo ir para uma cidade bem distante. Não sei como serão as coisas, mas do jeito que está por aqui, qualquer lugar será melhor que esse.CAPÍTULO QUATORZEAgora, o rei de Treno, Artur, e sua rainha Madalene estavam diante de Richard.Ele apreciou a rainha e viu Vansey nela. A mulher era muito parecida com Vansey: cabelos ruivos, pele parda, olhos negros. Era exótica, mas bem diferente do pai, que tinha cabelos cacheados e ondulados.— Explique essa história de que vai se casar com Nivia — falou o rei Artur.— Ela está viva, não é, rei Richard? — perguntou a mãe com o coração agitado.Richard pediu que Jane entrasse. Ela entrou com o filho no colo. Enquanto ela se aproximava, ele ia contando as travessuras dela e como a havia conhecido. Ele parou no momento em que a rainha Madalene foi amparada pelo rei.— Nivia! — exclamou a mulher. Jane olhou para Richard.— Perdoe-me por não contar antes, meu amor. Estes são seus pais verdadeiros. Hert a sequestrou e cobrou recompensas por você, mas nunca a entregou. Por anos eles vêm à sua procura. Vieram procurar por seu corpo, mas fiz com que viesse para conhecê-la.O rei se apr
CAPÍTULO TREZEFaltando alguns dias para que Vanesey e Felipe, seu filho, fossem exilados para outro local e vivessem suas vidas reclusas de Desmond, Richard recebeu um pedido de atendimento interessante. Marco Britas, do Reino Treno, desejava falar com ele. O reino era considerado o mais bonito do continente a leste. Era maior que Desmond. Richard o recebeu com curiosidade.— Majestade, agradeço por me receber em uma situação como esta.— Não há problema algum, a vida prossegue.— Esses piratas nos causaram muito sofrimento. Mas foi o senhor que mais nos causou.— Eu? — Richard ficou surpreso.— O senhor executou uma princesa — disse Marco. — Minha culpa foi não ter salvo ela daquele maldito pirata Hoope. Ela estava em minhas mãos. Serei rebaixado quando voltar.— Que princesa eu executei? — perguntou curioso.— A princesa Nivia, filha do rei Artur e Madalene de Treno. Ela foi sequestrada por piratas quando o rei fazia um reconhecimento de terras por mar. Ele havia levado a princesa
CAPÍTULO DOZEEm meio à conversa entre Hoope e Sofie, Vanesey foi arrastada de volta à realidade pelas recordações e lembranças. As lágrimas ameaçaram descer pelo seu rosto, mas ela as secou rapidamente, decidida a se manter firme diante do retorno da memória.— Diga-me, Hoope, como sobreviveu a Reese?Ele a olhou e passou a mão na cabeça.— Quando avistamos a galera e outras embarcações de Demond, Reese nos separou. Ele seguiu para sua embarcação, que era mais veloz que a minha. Tudo aconteceu muito rápido. Como Jack Loud estava mais preocupado com você, tivemos tempo de fugir. Desde então, não nos vimos novamente.— Onde estão Flot e os outros?— Foram enforcados pelo reino de Treno. Parece que Marcus Bridas, de Treno, interceptou a embarcação deles, com Medromes como capitão. Mas Flot estava com ele, como se fosse um casal novamente. — Ele sorriu. — Imagino que Flot ficaria decepcionado com isso.— Então ele queria me matar, estava me buscando e cuidou de mim sem saber quem eu era.
CAPÍTULO ONZEEra manhã quando os guardas anunciaram a sentença de enforcamento dela, juntamente com alguns homens capturados no confronto entre Resse e Hoope. Eles se aproximaram, pegaram-na com mãos firmes e, ao olharem para seu ventre, um dos guardas a soltou e murmurou algo no ouvido do outro, que concordou e, com pressa, a levou porta afora.Havia uma multidão que Vanesey já havia presenciado antes. Ela testemunhou enforcamentos infiltrada na multidão. Encontrou-se com seus homens, e eles sorriam. Havia motivos para Vanesey não estender as mãos e sair daquela cela com Richard. O primeiro motivo era que eles precisavam dela, a lenda, Vanesey de Hert, que lutou com Jack Loud e sobreviveu. O segundo, Gaia estava nela, e algo estava errado; havia traição demais entre eles, por isso, não mereciam ir para Gaia. O terceiro motivo, ela queria ser livre.Apertou os olhos, sendo conduzida por guardas, junto aos homens, sentindo as coisas podres serem arremessadas contra ela. Pensou na crian
CAPÍTULO DEZQuando Vanesey acordou, estava dentro de um bote. O homem remava com rapidez. — Temos que chegar. Eles estão vindo. Nos seguiram. Preciso ser rápido. Perdoe-me, meu rei, não sei se cumprirei minha palavra — murmurou o homem, lamentando.De repente, o som de tiros chamou sua atenção, fazendo-a se sentar rapidamente. Marcos Britas anunciou que eram piratas e tentou retornar, mas os tiros logo o fizeram parar. Ele ergueu a mão, sinalizando enquanto os piratas se aproximavam.Vanesey ainda não estava totalmente recuperada mentalmente, mas se sentou com a arma do pirata apontada para sua cabeça, o que a fez pensar em como escapar. Não reconhecia aquela tripulação, não era do seu clã. Respirou fundo e percebeu que havia várias embarcações no local. Marcos Britas permanecia em silêncio. Quando o bote foi içado até a embarcação, ela sorriu, já com um plano em mente.Ela se ergueu com dores no corpo, ainda não estava curada. Então, foi tomada pela felicidade.— Está rindo porque
CAPÍTULO NOVE A entrada dos cozinheiros estava ali. Vestida de homem, caminhou calmamente para a porta, mas o guarda a parou.— Já não entrou com seu amigo? — Falou o homem, confuso.Ela tossiu e forçou a voz.— Se tivesse entrado, não estaria aqui.O guarda tomou outro gole, e ela atirou uma garrafa para ele.— Cortesia.Ela disfarçou, olhando para uma das meninas de distração. O homem se distraiu e Nesey entrou.A prisão parecia vazia, não havia movimentos. Ela passou por várias áreas. Havia guardas jogando. Lembrava do que haviam dito sobre horários.Caminhou por entre as celas, olhando uma por uma, fingindo ser um guarda. A sorte quis que ela encontrasse Jenear.Jenear estava deitado na cela, havia alguém jogado num canto, enrolado em capuz sujo e velho.— Jenear! — Ela o chamou, fora da cela.— Quem me chama? — Ele se levantou às pressas.— Vanesey de Hert.Ele se aproximou, buscando a luz.— Menina! Como é possível ainda estar viva?— Não importa. — Ela começou a procurar a chav





Último capítulo