Ponto de vista do narrador
A casa dos pais de Natália ficava em um bairro simples da cidade, daqueles onde as ruas ainda tinham crianças brincando na calçada e vizinhos que se conheciam pelo nome. O portão rangia um pouco ao abrir, a pintura já pedia retoques, mas tudo ali era limpo, cuidado e vivo — como se cada detalhe carregasse afeto.
Carlos Eduardo estava sentado em uma cadeira de plástico na garagem coberta, observando Natália encostada no batente da porta, conversando com a mãe. A barriga já despontava com orgulho sob o vestido leve, e havia nela uma paz que contrastava demais com o turbilhão que ele carregava por dentro.
Ele decidiu ali, mais uma vez: não agora.
Esperaria os gêmeos nascerem. Esperaria o momento certo. Natália merecia viver aquela fase sem que o passado de outros viesse esmagar o presente dela.
— Tá me olhando assim por quê? — ela perguntou, percebendo o olhar dele.
— Porque você fica ainda mais bonita aqui — respondeu, sincero. — Parece mais leve.
Ela s