Ponto de vista do narrador
O escritório estava silencioso agora. As luzes haviam sido suavizadas, e o peso da noite parecia finalmente se instalar sobre a mansão. Carlos Alberto serviu dois copos de uísque e entregou um a Letícia sem cerimônia. Ela aceitou, sentando-se diante dele com a postura de quem espera uma avaliação — não uma explicação.
— Você foi impecável — disse ele, após um gole. — Como sempre.
Letícia sustentou o olhar, séria.
— Eu nunca falhei com você — respondeu. — E nunca falharia. Tudo o que fiz foi por lealdade. Por escolha.
Carlos Alberto assentiu lentamente.
— Eu sei. — Houve uma pausa. — E é justamente por isso que preciso ser honesto com você agora.
Ela franziu levemente o cenho, atenta.
— Honestidade não costuma vir sem consequências — disse, calma.
Ele apoiou o copo na mesa, entrelaçando os dedos.
— Não consigo mais me excitar com você.
A frase caiu limpa, sem crueldade. Letícia não se moveu. Não desviou o olhar.
— Desde quando? — perguntou.
— Há algum tempo