Ponto de vista do narrador
O fim da tarde de sábado ainda estava quente quando Cadu estacionou a moto na frente da casa da família de Natália, o motor vibrando baixinho antes de silenciar. Assim que Cadu tirou o capacete, três rostos idênticos apareceram na janela — olhos arregalados, cabelos arrepiados, bocas abertas como quem vê um OVNI pousando no quintal. Natália mal teve tempo de abrir o portão.
Os trigêmeos explodiram pela porta como foguetes desgovernados.
— ELE TEM UMA MOTO! — gritaram em coro, correndo até ela.
O olhar deles caiu sobre a moto. Depois voltou para o jovem.
— ELE É ALTO!
— VOCÊS SÃO NAMORADOS?
— EU QUERO SUBIR NA MOTO!
— EU QUERO PILOTAR!
Os três, idênticos, cabelos castanhos bagunçados, olhos grandes e verdes, empolgados e entusiasmados, circundaram a moto como arqueólogos diante de um artefato sagrado.
— Cadu… — Natália colocou a mão no rosto. — Meus irmãos têm um problema sério de animação descontrolada.
— Eles são incríveis — riu Cadu, t