Arianna desceu as escadas com Ava no colo, o corpinho quente da bebê colado no dela, o cheirinho de sono e talco invadindo os sentidos. A menina de sete meses já não dependia só de mamadeira — comia frutinhas cortadas, papinhas, pedaços de pão macio, tudo com as mãozinhas gordas tentando pegar sozinha. Arianna sorriu ao sentir os dedinhos de Ava agarrando o colarinho da blusa azul-clara do uniforme, puxando com força como se quisesse escalar até o rosto dela. Era um gesto simples, cotidiano, mas que fazia o coração dela apertar de um jeito bom — de amor puro, de pertencimento.
A cozinha estava iluminada pelo sol da manhã que entrava pelas janelas amplas, refletindo no mármore preto do balcão e nos armários brancos impecáveis. O cheiro de café fresco, pão na chapa dourando e frutas cortadas enchia o ar. Dona Lúcia e dona Neide já trabalhavam: a governanta cortava morangos, mamão e banana em pedaços pequenos, enquanto Neide mexia ovos na frigideira, o chiado da manteiga misturado ao som