Voltamos para casa como quem volta de outro planeta. Era assim que eu me sentia: um pouco flutuando, um pouco em choque, um pouco com medo de que tudo aquilo evaporasse se eu piscasse forte demais. O pedido. A casa. O anel. O futuro inteiro estacionado dentro do peito como um animal novo, estranho, vibrante. Cori dormiu no carro enquanto voltávamos, como se o dia tivesse sido grande até para ela. Crianças sentem quando algo muda no mundo, mesmo que não saibam explicar o quê. Eu demorei mais.