Fui obrigado a me afastar um pouco, embora cada centímetro do meu corpo estivesse preparado para fazer o que quisesse com ela. Júlia percebeu. Não era ingênua, nunca foi. O modo como seus olhos me acompanharam quando dei um passo atrás denunciava isso. Ainda assim, foi justamente essa consciência que me fez recuar.
Eu não podia perder o controle agora. Não depois de tudo que eu havia arquitetado. Não depois de finalmente enxergar uma possibilidade real de fazê-la ficar por vontade própria e não apenas por obrigação.
A diferença entre posse e escolha era mais delicada do que eu imaginava.
— Eu preciso ir resolver algumas coisas.
Falei, mantendo a voz firme, embora meu corpo protestasse.
— Mas hoje ou amanhã vai chegar um vestido. Quero que você o use quando firmarmos nosso acordo de casamento.
Ela sorriu. Não foi um sorriso exagerado, nem ensaiado. Foi simples. E, ainda assim, perigoso para mim.
— Tudo bem.
Respondeu, balançando a cabeça com uma obediência tranquila que não parecia su