SHEIK
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Fiquei um longo tempo no escritório, sentado na poltrona de couro escuro que sempre me pareceu confortável demais para dias como aquele.
O silêncio ali dentro não era paz; era peso. Um peso que se acumulava nos ombros, na nuca, no peito. Eu encarava a mesa ampla, impecavelmente organizada, como se ela pudesse me devolver alguma resposta que eu ainda não tinha.
Colocar tudo no lugar sempre foi o que eu soube fazer melhor. Pessoas, contratos, decisões, destinos. Sempre houve um método, um cálculo, uma frieza necessária para manter o controle. E, ironicamente, o mais difícil eu já havia conseguido: Júlia não iria embora. Não agora. Não se eu conseguisse fazer do meu desejo algo legítimo diante das leis e da sociedade que eu mesmo ajudara a moldar.
"Casamento"...
A palavra ecoava na minha cabeça com uma força desconfortável. Se eu a transformasse em minha esposa, nenhuma cláusula assinada por Carolina teria poder sobre isso. Nenhuma chantagem. Nenhuma dívida inventada. Júlia dei