Saí do harém com a sensação de que o ar havia ficado mais pesado do que o normal.
Não era apenas o calor do deserto atravessando os corredores de mármore do palácio, era algo mais denso, mais íntimo. Uma inquietação que não me abandonava desde o momento em que vi Laura perder completamente o controle e quando soube da fraude que Carolina havia cometido.
Eu precisava ligar para a Carolina.
Precisava do meu escritório. Precisava, acima de tudo, recuperar a autoridade que sempre foi natural em mim e que, ultimamente, parecia escorrer pelos dedos.
Mas não cheguei longe.
Laura estava no meio do corredor, parada como se tivesse sido colocada ali de propósito para me interceptar. O porte ereto, as mãos unidas à frente do corpo, o rosto perfeitamente composto. Aquela calma… aquela calma nunca era um bom sinal.
— Por favor, Laura. Agora não. Minha voz saiu mais dura do que eu pretendia.
— Você não acha que já me desrespeitou o suficiente hoje? Desde quando você se acha no direito de passar