A noite parecia interminável.
Decidi dormir no quarto principal. Laura já estava deitada. De costas para mim. Silenciosa.
Pelo menos, era o que eu imaginava.
Tomei meu banho, vesti uma roupa leve e apaguei as luzes, pronto para tentar descansar.
Mas assim que deitei, ela se virou lentamente na cama. Os olhos dela estavam frios, fixos em mim. Não mais vermelhos. Não mais inchados. Apenas vazios.
— Você vai trazer outra concubina para cá?
A pergunta me atravessou como uma lâmina curta.
Eu a encarei por alguns segundos, tentando entender de onde aquilo tinha vindo.
— Alguém falou alguma coisa para você?
Perguntei, com a voz baixa.
— O que deveriam falar?
Ela rebateu, sem desviar o olhar.
— O que levou você a perguntar isso?
Ela inspirou fundo, como se tentasse controlar a própria dor, mas a frieza permaneceu.
— Então você vai realmente trazer outra concubina para cá?
— E se eu trouxer, Laura? Qual o problema nisso?
Respondi, cansado, sem paciência para rodeios.
Ela soltou uma risada c