A casa estava silenciosa demais pro meu gosto.
O relógio antigo na parede da sala de estar fazia um tique-taque irritante, como se cada segundo me lembrasse da bomba que eu precisava desarmar. E pior: uma bomba que vestia paletó caro, falava palavras bonitas e ainda tinha convencido minha filha de que era o grande amor da vida dela.
Carlos.
Só de pensar naquele nome, meu maxilar travava.
Peguei meu copo de uísque — já era o segundo da noite, talvez o terceiro — e fui até a janela do escritório.