Rocco Mancini
O ar dentro do meu escritório estava tão pesado que era quase possível cortá-lo com uma faca. Três dias. Três dias desde que eu deveria ter colocado a cabeça de Lorenzo Lucchese em uma estaca, e tudo o que eu tinha eram relatórios vazios e becos sem saída.
Eu estava de pé, observando os jardins através da vidraça. Meus homens se moviam lá fora como sombras, fuzis em punho, cães farejadores revirando cada centímetro de grama. Eu sentia a queimação constante no meu abdômen, um lembrete físico de que eu ainda não era invencível. Mas, sob a bandagem, o sangue ainda queimava por vingança. Era um combustível estranho; me mantinha alerta, focado, mas também me deixava mais impaciente com a incompetência alheia.
— Não faz sentido, Matteo — eu disse, sem me virar. Minha voz saiu fria, com aquele tom que geralmente faz os homens na sala pararem de respirar. — Lorenzo é um rato. E ratos no esgoto deixam rastros quando estão desesperados. Fechamos as fronteiras, os portos, cada