Scarlett Johnson
O quarto ainda guardava o calor da noite que tínhamos acabado de partilhar. O cheiro de Rocco — aquela mistura inebriante de sândalo, tabaco caro e a pele limpa após o banho — me envolvia como um lençol invisível. Eu estava deitada em seu peito, ouvindo o ritmo constante e poderoso do seu coração. Era o som mais reconfortante do mundo, a batida que guiava a minha própria vida desde que este caos se tornou o meu lar.
Tínhamos nos entregado um ao outro com uma intensidade que beirava o desespero, como se precisássemos reafirmar, através do toque e do fôlego curto, que estávamos vivos, que tínhamos vencido. Cada beijo de Rocco tinha sido uma promessa, cada carícia uma forma de apagar as cicatrizes invisíveis que a última semana nos deixara. Ele foi meu porto seguro na escuridão, e eu fui a sua paz no meio da guerra.
— No que está pensando, cara mia? — a voz dele vibrou contra o meu ouvido, profunda e rouca pelo sono e pelo prazer recente.
— No quanto o mundo parece dife