Rocco Mancini
Eu estava exausto, mas não era o cansaço das batalhas físicas; era a fadiga de carregar o destino de tantas vidas sob a pele.
Caminhei em direção aos aposentos privados, cada passo mais leve que o anterior. Ao abrir a porta do quarto, o mundo lá fora - Lorenzo, os caminhões de armas, o fantasma de Vincenzo — simplesmente deixou de existir.
Luigi estava no chão, sobre um tapete grosso, cercado por alguns brinquedos de madeira que eu havia mandado trazer de Florença. Scarlett estava sentada ao lado dele, observando-o com aquela intensidade que só uma mãe possui, mas seus olhos se ergueram para os meus no instante em que entrei. Havia uma pergunta silenciosa neles.
— Acabou por hoje — eu disse, e minha própria voz soou estranhamente humana para mim mesmo.
No momento em que ouviu minha voz, o pequeno Luigi parou o que estava fazendo. Ele se apoiou nas mãozinhas gordinhas, firmando o tronco com uma força que me lembrava a minha própria, e soltou um som agudo, um grito de pu