Matteo "o braço direito"
Subi as escadas de mármore com o peso de uma armadura de chumbo sobre os ombros. O som das minhas botas ecoando no corredor parecia o tique-taque de uma bomba prestes a explodir. Eu já enfrentei pelotões de fuzilamento sem piscar, já limpei o sangue de Rocco de calçadas imundas e nunca senti meu estômago dar voltas como agora.
Eu não temia o perigo. Eu temia o olhar dela.
Parei diante da porta de Bella Romano. Por anos, eu fui a sombra que a seguia. Eu era o homem que abria a porta do carro, que vigiava o perímetro de seus jantares de noivado com homens que não valiam o chão que ela pisava. Eu a desejei em silêncio, uma heresia que eu enterrava todas as noites sob o dever. Mas agora, o Dom havia transformado o meu pecado em uma ordem.
Abri a porta da varanda e a vi. Ela era uma visão de porcelana e tragédia, observando a escuridão de Roma como se procurasse uma saída que não existia.
— Você pisa como um soldado, Matteo. Mas respira como um homem que teme