O Peso da Coroa e o Gosto do Sangue
Rocco Mancini
O frio da madrugada não era nada comparado ao gelo que corria em minhas veias enquanto eu observava o galpão em chamas nos limites da cidade. O cheiro de pólvora, fumaça e carne queimada ainda impregnava minhas narinas, uma mistura viciante e repulsiva que definia a minha existência.
Tinha sido uma noite longa. Um acerto de contas necessário. Três traidores da família Moretto acharam que poderiam desviar mercadoria dos Mancini sem consequências. Eles aprenderam, da maneira mais brutal possível, que o meu perdão não existe e que a minha justiça é definitiva.
Limpei o sangue seco dos nós dos meus dedos com um lenço de seda, jogando o tecido manchado nas chamas antes de entrar no carro blindado. Matteo estava ao volante, com o rosto rígido, a postura de um soldado que sabe que seu general está no limite.
— Marco já se instalou em Nova York? — perguntei, minha voz saindo como um rosnado baixo, rouca pela fumaça e pelo comando.