Rocco Mancini
O banquete, que minutos antes era um cenário de falsa civilidade, transformou-se no pátio de execução de uma era. Enquanto Vincenzo era arrastado, soltando súplicas que ninguém se dignava a ouvir, um silêncio sepulcral e reverente tomou conta do jardim. Não era o silêncio do medo paralisante, mas o silêncio do reconhecimento.
Eu caminhei até o centro do semicírculo formado pelos meus Capos. Eles eram os pilares da minha estrutura: homens que haviam servido ao meu pai, mas que agora viam em mim algo que ele nunca foi — um estrategista que não temia quebrar a própria mesa para limpá-la.
Fiquei parado, a luz das tochas projetando minha sombra de forma gigantesca sobre o mármore. Bella estava a poucos passos de mim, a respiração ainda pesada pela fúria, observando como o poder mudava de mãos de forma definitiva.
Matteo adiantou-se, desembainhando uma adaga de prata com o punho cravejado de rubis — a lâmina cerimonial dos Mancini. Ele a entregou para mim com a cabeça baixa.