Rocco Mancini
O escritório ainda cheirava a fumaça e ao metal frio das armas que haviam acabado de ser guardadas. Eu estava sentado atrás da mesa de carvalho que pertenceu ao meu pai, sentindo o peso do anel Mancini esmagar meu dedo. Meus olhos estavam fixos na porta, esperando o inevitável. Eu sabia que a noite de sangue não terminaria com a queda de Vincenzo; ela terminaria aqui, no julgamento silencioso dos meus próprios homens.
Matteo entrou primeiro, com sua postura rígida de soldado, seguido por Antônio. O velho Antônio era a memória viva desta família. Ele servira ao meu pai por quarenta anos e vira cada gota de sangue que cimentou o nosso império. Ele não tinha medo de mim, e era exatamente por isso que ele era perigoso naquele momento.
— Dom — Antônio começou, sua voz rouca como o arrastar de pedras. — O pátio está limpo. Os Romano que restaram estão sob guarda. Mas o silêncio lá fora não combina com o barulho que o senhor fez aqui dentro.
Ele se aproximou da mesa, apoiando