Rocco Mancini
O porão da mansão Mancini não era apenas uma fundação de pedra e cal; era o estômago de uma fera que digeria pecados e segredos há gerações. O ar ali embaixo era denso, carregado com o cheiro de umidade antiga, ferro e o odor pungente do medo que se entranhava no reboco das paredes. Desci os degraus de pedra com uma calma que beirava o ritualístico. O som dos meus sapatos italianos batendo no chão seco ecoava como o início de uma contagem regressiva para o juízo final de um homem que se achava deus.
Lá dentro, sob uma única lâmpada amarelada que balançava, lançando sombras distorcidas, Vincenzo Romano estava preso. O homem que se autoproclamar o imperador do submundo parecia agora um monte de carne trêmula e patética. Ele estava amarrado a uma cadeira de madeira pesada, seus pulsos em carne viva pela tentativa inútil de lutar contra as cordas de náilon que eu mesmo fiz questão de apertar.
Parei na penumbra, observando-o. Ele ainda usava a mesma roupa do evento, claro