Scarlett Johnson
O silêncio na mansão Mancini nunca foi um silêncio de paz; era sempre o prelúdio de uma tempestade ou o rescaldo de uma batalha. Naquela noite, enquanto os ponteiros do relógio de carvalho no hall pareciam castigar cada segundo da minha espera, o ar estava espesso. Bella e eu não trocamos muitas palavras. Não era necessário. Havia uma linguagem silenciosa entre mulheres que amam homens marcados pela morte: o som de uma faca batendo na tábua de cortar, o tilintar da louça, o aroma do manjericão e do alho que tentava, desesperadamente, expulsar o cheiro metálico de sangue que ainda parecia impregnado em nossas memórias.
Preparamos o jantar. Não porque estivéssemos com fome, mas porque precisávamos ocupar as mãos para não deixarmos a mente vagar pelo que estava acontecendo na propriedade dos Lucchese. Cozinhar era o meu ritual de ancoragem. Enquanto eu mexia o risoto, sentia a pulsação no meu braço, no local onde a agulha da transfusão tinha entrado. Era uma sensação es