A muralha de gelo
Rocco Mancini
O silêncio da mansão nunca era pacífico para mim; era apenas o intervalo entre um banho de sangue e o próximo. Meus passos ecoavam pelo mármore, pesados, carregando o cansaço de uma guerra que nunca terminava.
Parei diante da porta do quarto de Luigi. Meus dedos hesitaram na maçaneta. Eu não deveria estar aqui. Sentimentos são lacunas na armadura, e eu já tinha cicatrizes demais para permitir uma nova abertura.
Entrei. A penumbra era cortada apenas pela luz suave de um abajur. O garoto estava lá, pequeno, frágil... perigoso. Olhar para ele era como olhar para o fantasma de tudo o que eu perdi. Cada traço do seu rosto me lembrava do meu melhor amigo, da lealdade que terminou em um caixão fechado e do preço que se paga por amar neste mundo.
Eu queria tocá-lo. Queria sentir o calor da pele dele e saber que a febre tinha ido embora. Mas minhas mãos estavam sujas. Não de sangue fresco, mas de um destino que condena tudo o que toca.
— Se eu me afas