O relógio da cobertura marcava 2h47 da madrugada. A cidade lá embaixo pulsava em luzes tênues e barulhos abafados, mas o apartamento estava mergulhado num silêncio pesado, quase cruel.
Lorenzo estava acordado. De novo.
Não por insônia comum, mas por tormento. Desde o dia em que Isadora saiu daquele jardim — olhos marejados, coração partido, alma ferida — ele não teve mais paz. A cena se repetia todas as noites como um filme mudo. Helena o beijando. Isadora olhando. O silêncio entre eles gritand