O salão de reuniões da Fundação Parker D’Abruzzi era amplo, moderno, repleto de vidro e aço. As paredes ostentavam fotografias em preto e branco de grandes tribunais europeus; no centro, uma mesa oval de madeira escura aguardava os primeiros bolsistas.
Helena chegou cedo. Estava acostumada a ser a primeira, fosse em sala de aula, fosse em competições acadêmicas. Preferia observar os detalhes antes que os outros chegassem, como se isso lhe desse vantagem estratégica. Escolheu um lugar discreto, de onde poderia ver tanto o púlpito quanto a porta de entrada. Aos poucos, os outros bolsistas foram chegando: jovens de diferentes países, alguns visivelmente nervosos, outros exibindo autoconfiança ensaiada. Havia risos contidos, cochichos, olhares curiosos. E então, a porta principal se abriu. Ele entrou. Victor D’Abruzzie Junior. O ambiente mudou de imediato, como s