A noite do evento terminara havia poucas horas, mas Helena Costa ainda não conseguia dormir. Estava deitada em seu pequeno apartamento alugado em Bloomsbury, olhando para o teto, enquanto a luz da rua entrava pela janela e riscava linhas amareladas nas paredes descascadas. Londres era uma cidade cruel para quem não tinha sobrenome, pensava. Cada passo custava caro; cada conquista parecia menor do que deveria.
E, ainda assim, ela estava ali. Fechou os olhos e a lembrança voltou com nitidez: o palco iluminado, o brasão da Fundação Parker D’Abruzzi, o discurso impecável de Victor D’Abruzzie Junior. Ela não podia negar: ele falara bem. Não de forma ensaiada como os políticos que colecionava em seus cadernos de críticas, mas com uma segurança que parecia natural. Havia nele uma gravidade que prendia o público, um magnetismo que não se aprendia em faculdades. Era algo herdado, talvez — uma mistura da imponência do pai, de quem já ouvira falar e