O jardim da mansão em Kensington estava lavado pela chuva recente, e o cheiro de terra úmida subia pela varanda como uma lembrança antiga. O crepúsculo se derramava em listras lilases entre as copas das tílias; lá dentro, as luzes, baixas, deixavam a casa inteira com um ar de confidência. Alicia serviu chá para si, vinho para ele, e esperou. Não falava quando o silêncio ainda tinha trabalho a fazer.
Victor cruzou a biblioteca com a gravidade de sempre. Tirou o paletó, afrouxou a gravata, pousou o copo de vinho na mesa lateral e parou diante da janela. Tinha essa mania — medir o mundo com os olhos antes de medir as palavras. Alicia, que o conhecia como se tivesse sido a primeira a inventá-lo, decidiu ser generosa com o tempo. Só depois se aproximou, sustentando o olhar com a brandura de quem sabe o peso do outro.