A alvorada em Londres não pediu licença. A luz cinza entrou pelas cortinas como um parecer que não aceita adendos, e Victor D’Abruzzie Junior acordou antes do alarme, com a mente correndo dois minutos à frente do corpo. Passou a mão no rosto, sentou-se na beira da cama e percebeu que, apesar de ter dormido, continuava em estado de espera. Desde ontem, cada pensamento parecia orbitado por um mesmo ponto: Helena.
A mente tentou buscar território seguro. Relatórios, pauta da fundação, a rodada de reuniões com reitores. Funcionou por um instante. Depois, os olhos dela atravessaram a disciplina com a naturalidade de quem abre uma janela: firmes, atentos, inquisidores. Ele lembrava a precisão das respostas, a forma contida como ela discordava — sem agressividade, sem servilidade —, e a sobriedade da aparência qu