07

Zara Nox 

Mas a porta se abriu de repente.

- Bom dia, chefe. - A voz de Rômulo cortou o ar como uma lâmina, trazendo-me de volta à realidade.

Ele entrou acompanhado de outros homens, todos engravatados, com pastas e tablets nas mãos.

A tensão evaporou como fumaça, e Lorenzo apenas ajeitou o paletó, recuperando o controle em segundos.

- Bom dia, senhores - ele disse, com o tom frio e autoritário que usava em público.

Sentei-me o mais distante possível, tentando ignorar o olhar que ele me lançou antes de começar a reunião.

---

A reunião começou pontualmente.

Investidores da França, um consultor de finanças, Rômulo à esquerda de Lorenzo.

Eu tomava notas rápidas, servia café e, de vez em quando, trocava olhares sutis com Lorenzo - olhares que ele fingia não perceber, mas eu sabia que percebia.

A cada vez que ele falava, sua voz grave tomava conta da sala.

Tinha domínio sobre tudo - cada palavra, cada pausa, cada detalhe.

E eu me perguntava como alguém podia ser tão... perfeito e, ao mesmo tempo, tão inacessível.

- Senhorita Nox - ele chamou, sem tirar os olhos dos papéis. - Pode projetar o gráfico da expansão da filial europeia, por favor?

- Claro. - respondi, levantando e caminhando até o painel.

Enquanto explicava os números, senti o olhar dele sobre mim - atento, concentrado, mas havia algo mais ali. Algo que me deixava nervosa.

Troquei o slide e, sem querer, nossos olhares se cruzaram.

O mundo pareceu diminuir.

A sala cheia de executivos sumiu.

Só restava ele, e aquele olhar que me despia com calma, sem pressa, como se procurasse algo dentro de mim.

Desviei o olhar rapidamente, voltando a falar.

- ...e com isso, o lucro líquido previsto para o próximo trimestre é de 12%, considerando o investimento inicial...

- Perfeito - ele interrompeu, e notei o sorriso discreto no canto dos lábios. - Excelente trabalho, Zara.

Meu coração disparou.

"Respira. É só um elogio profissional", repeti mentalmente.

Mas o modo como ele disse meu nome... não parecia profissional.

---

A reunião terminou duas horas depois.

Os executivos foram se levantando, trocando apertos de mão, enquanto eu recolhia os copos e organizava os papéis.

Rômulo se aproximou, com um sorriso leve.

- Bom trabalho, Zara. O chefe tá impressionado.

- Espero que seja com a planilha e não comigo - brinquei, tentando disfarçar o nervosismo.

- Talvez os dois. - Ele riu. - E entre nós, nunca vi o Lorenzo olhar pra alguém desse jeito.

- Que jeito?

- Como se estivesse prestes a quebrar a própria regra.

Fiquei em silêncio.

Não havia resposta segura para isso.

Quando Rômulo saiu, Lorenzo ainda estava lá, olhando pela janela, o casaco jogado na cadeira.

- Pode fechar a porta - ele disse, sem se virar.

Obedeci.

- Senhor... digo, Lorenzo, quer que eu organize o material agora ou deixo pra depois?

- Depois. - A voz dele estava mais baixa. - Senta um instante.

Sentei devagar, tentando decifrar o tom dele.

- Sabe... - ele começou, sem me encarar - você tem um talento raro. Não é só organizada. É... detalhista, dedicada. É diferente.

Senti minhas bochechas queimarem.

- Obrigada, senhor.

- Lorenzo. - Ele corrigiu de novo.

Olhei para ele, e a expressão era outra - não havia o homem de negócios, mas alguém cansado, vulnerável, com algo preso no peito.

- Às vezes acho que você me lembra alguém. - Ele disse, quase num sussurro.

- Alguém importante? - perguntei, hesitante.

Ele sorriu de leve, sem humor.

- Alguém que não posso esquecer.

Um silêncio pesado caiu entre nós.

Ele respirou fundo, levantou-se e se aproximou.

Parou atrás da cadeira onde eu estava sentada, e o ar pareceu ficar mais denso.

- Lorenzo... - murmurei, virando o rosto para olhá-lo.

- Você tem medo de mim? - perguntou, os olhos fixos nos meus.

Engoli em seco.

- Não. Mas o senhor... me intimida.

Ele inclinou a cabeça, e um sorriso quase imperceptível surgiu.

- Isso não é bom. Eu não quero que tenha medo.

- Então... o que quer que eu tenha? - perguntei, sem pensar.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, o olhar preso no meu rosto.

Depois, deu um passo para trás, recolhendo o casaco.

- Que confie em mim. - disse, e saiu da sala.

Fiquei ali, imóvel, com o coração batendo rápido demais.

Parte de mim queria fugir, outra parte queria correr atrás dele e pedir que explicasse o que estava acontecendo entre nós - ou dentro dele.

Mas, no fundo, eu sabia que havia algo maior.

Algo que ele escondia.

Algo que o fazia olhar pra mim daquele jeito - com culpa, desejo e um medo que eu ainda não entendia.

---

Mais tarde, no escritório, Liz apareceu com um café.

- Me disseram que você arrasou na reunião - ela comentou, se jogando na poltrona.

- Foi tudo bem.

- E o chefe?

- O mesmo de sempre. Intenso. Misterioso. - Suspirei.

- Ai, Zara, você fala dele como quem tá prestes a se apaixonar.

- Eu não... - parei, percebendo que talvez minha voz não convencesse. - Eu não posso me apaixonar por ele, Liz.

- Por que não?

Olhei pela janela, o coração apertado.

- Porque o Lorenzo Castellani é o tipo de homem que carrega segredos. E eu já vivi segredos demais na minha vida.

Ela me observou em silêncio por alguns segundos.

- Então cuidado. - disse, séria. - Porque às vezes o que a gente tenta evitar é exatamente o que o destino insiste em colocar no nosso caminho.

---

Quando saí da empresa, o céu já estava escurecendo.

Peguei o elevador sozinha, pelo menos era o que eu pensava até que uma mão segurou a porta, e entrou. Era ele. Quando eu tendo fugir ele surge bem na minha frente me obrigando a estar no mesmo ambiente que ele.

{...}

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