03

Zara Nox

Meu estômago deu um nó.

- Todos os outros estagiários eram homens, mas... - ela inclinou-se um pouco para sussurrar - ele mesmo pediu que essa vaga fosse aberta para uma mulher. Dizem que somos mais organizadas.

Engoli seco.

- Sim... claro.

- O elevador é por ali. Último andar. Há uma recepção lá, com duas salas: a da presidência e a da vice. Boa sorte, Zara.

Sorri em agradecimento e segui para o elevador.

O coração batia rápido demais.

A cada andar que o número aumentava, parecia que eu subia para um outro tipo de vida.

Quando as portas se abriram, fui recebida por uma jovem elegante, provavelmente a secretária da vice-presidência.

- Boa tarde - disse ela. - Senhorita Nox, certo?

Assenti.

- O senhor Castellani está te esperando. Pode entrar.

As palavras ecoaram dentro de mim.

"Está te esperando."

Como se ele já soubesse exatamente quem eu era.

Empurrei a porta devagar.

E lá estava ele.

De costas, olhando pela janela panorâmica que dava uma visão perfeita da cidade.

Alto.

Postura impecável.

O terno escuro perfeitamente ajustado ao corpo.

Ele se virou quando a porta fechou atrás de mim, e, por um segundo, o ar pareceu desaparecer da sala.

Lorenzo Castellani.

O tipo de homem que você vê em revistas e acha que é photoshop.

O olhar dele era frio, calculado, e ainda assim... havia algo nele que me fez estremecer.

Aquele tipo de presença que não precisa de palavras para dominar o ambiente.

- Senhorita Nox. - A voz dele era grave, firme, e soava como uma ordem disfarçada de cumprimento. - Seja bem-vinda à Castellani Corp.

Tentei não gaguejar.

- Obrigada, senhor. É... uma honra.

- Pode se sentar. - Ele indicou a cadeira à frente da mesa de mogno.

Sentei, mantendo as mãos firmes no colo para esconder o tremor.

Ele se sentou também, os olhos fixos em mim.

E foi nesse instante que percebi algo estranho.

Ele parecia... me estudar.

Cada movimento, cada respiração.

- Veio da faculdade de administração, certo? - perguntou, abrindo uma pasta à frente.

- Sim, senhor. - Respondi o mais educadamente possível. - A diretora Flávia me enviou.

- Entendo. - Ele assentiu, sem desviar os olhos. - Gosto de conhecer pessoalmente quem trabalha perto de mim.

A intensidade do olhar dele me fez engolir em seco.

Tentei desviar, mas era impossível.

A cada segundo, eu me sentia mais presa ali.

Entre o nervosismo e uma curiosa atração que não fazia sentido algum.

- Parece nervosa. - Ele comentou, um leve sorriso nos lábios. - Costuma ser assim com todos os novos funcionários?

- Não, senhor... - menti. - Só não esperava ser recebida por... você.

Ele arqueou uma sobrancelha, divertido.

- "Você"? Não é assim que minhas funcionárias costumam me chamar.

O calor subiu até o meu rosto.

- Me desculpe... senhor Castellani.

Ele riu baixo, um som rouco, quase perigoso.

E por um instante, o ar entre nós pareceu mudar.

Ele apoiou os cotovelos sobre a mesa, entrelaçando os dedos.

- Diga-me, Zara, por que escolheu administração?

Olhei para ele, tentando manter a compostura.

- Porque quero entender o que faz o mundo girar, senhor.

- E o que faz o mundo girar, na sua opinião?

- Poder. - Respondi sem pensar.

Um sorriso quase imperceptível curvou seus lábios.

- Boa resposta.

O silêncio se instalou.

Mas não era um silêncio desconfortável.

Era denso. Quente.

Ele me olhava como se me conhecesse - e, ao mesmo tempo, como se tentasse decifrar algo que só ele sabia.

- Gosto da sua confiança. - Ele disse, por fim. - Vai precisar dela aqui.

Tentei sorrir, mas o coração estava acelerado demais.

Ele se levantou. O movimento fez o perfume dele preencher a sala - um aroma amadeirado, masculino, caro.

De repente, ele estava perto demais.

Encostou-se à mesa, a poucos passos de mim.

- O setor de administração começa às nove. Estará lá amanhã. - A voz dele saiu baixa, firme. - Sua função inicial será me auxiliar pessoalmente.

- Eu... pessoalmente? - repeti, surpresa.

- Exatamente. - O olhar dele desceu até meus lábios por um segundo - rápido demais para ser notado, mas eu notei. - Tenho a sensação de que você aprende rápido.

O ar sumiu dos meus pulmões.

Ele sorriu, quase imperceptível, como se soubesse o efeito que causava.

- Algo errado, senhorita Nox?

- N-não, senhor.

Ele voltou para trás da mesa e pegou um crachá.

- Bem-vinda oficialmente à Castellani Corp. - estendeu o crachá em minha direção. - E... Zara?

- Sim?

- Evite chamar atenção demais. Aqui dentro, tudo o que brilha demais costuma ser perigoso.

Havia uma seriedade na voz dele que me fez estremecer.

Peguei o crachá e forcei um sorriso.

- Eu não costumo brilhar, senhor.

- Veremos. - murmurou, voltando ao trabalho.

Saí da sala tentando respirar.

O coração ainda batia forte, e minhas pernas pareciam de gelatina.

Apertei o crachá nas mãos.

"Meu Deus... o que foi isso?"

Ele era... tudo o que um homem não devia ser: perigoso, confiante, inacessível.

E, mesmo assim, algo em mim implorava para revê-lo.

Mas eu não podia.

Eu tinha um emprego a zelar.

E ele era meu chefe.

Quando entrei novamente no elevador, uma parte de mim já sabia: aquele homem não seria apenas o início da minha carreira.

Ele seria o início da minha ruína.

{...}

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