Mundo ficciónIniciar sesiónZara Nox
Na manhã seguinte, acordei com o sol atravessando as cortinas. Liz ainda dormia, e eu aproveitei para preparar café.
Enquanto esperava o pão torrar, o celular vibrou com uma mensagem de número desconhecido.
> Lorenzo Castellani: Bom dia, Zara.
Esqueceu sua pasta de relatórios na minha sala ontem.
Pode passar aqui às 10h para buscá-la.
Meu coração acelerou.
Respirei fundo e respondi:
> Bom dia, senhor Castellani. Passo sim.
Liz abriu um olho, sonolenta.
- Quem tá te deixando nervosa logo cedo?
- Ninguém. - Sorri sem graça. - Meu chefe.
- Hm... o chefe gostoso?
- Liz! - protestei, mas acabei rindo.
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Quando cheguei à empresa, Lorenzo estava na sala de reuniões, sozinho, mexendo no notebook.
Bati de leve na porta.
- Com licença, senhor Castellani.
Ele ergueu o olhar - e por um instante o mundo pareceu parar.
Aquele olhar intenso, profundo, como se ele me estudasse em silêncio.
- Pode entrar, Zara. - Sua voz era baixa, firme. - Sua pasta está aqui.
Entrei, tentando parecer profissional, mas minhas mãos tremiam.
- Obrigada - murmurei, estendendo a mão.
Ele segurou a pasta, mas não soltou de imediato.
Nossos dedos se tocaram, e eu senti um arrepio percorrer o corpo inteiro.
- Está se adaptando bem? - perguntou, ainda me observando.
- Sim, senhor. - Respondi, desviando o olhar. - Só... cansada.
- Cansada do trabalho ou de fugir de mim? - Ele arqueou uma sobrancelha, com um meio sorriso.
Fiquei sem ar por um segundo.
- Não fujo do senhor - menti.
- Claro que não - ele respondeu, quase divertido. - Então, até segunda-feira, Zara.
Saí da sala com o coração disparado, tentando entender por que aquele homem mexia tanto comigo.
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À noite, Liz e eu fomos até um café novo perto da empresa. Ela falava sem parar, mas minha cabeça estava em outro lugar.
- Terra chamando Zara! - ela estalou os dedos. - Você tá a milhas daqui.
- Desculpa - ri. - Só tô cansada.
- Cansada nada. Isso é cara de mulher com crush.
Antes que eu pudesse responder, o som de passos apressados chamou nossa atenção. Um grupo de rapazes entrou, um deles - de terno amarrotado e hálito forte de álcool - veio direto na nossa direção.
- Olha só quem tá aqui... - ele disse, rindo torto. - As estagiárias da Castellani.
Liz se enrijeceu ao meu lado.
- Com licença, estamos ocupadas - ela respondeu seca.
- Ah, vem, só um drink...
- Ela disse que não - retruquei, tentando manter a calma.
Ele riu, aproximando-se demais.
O cheiro de álcool me fez engasgar.
- O que foi, boneca? Seu chefe não te deixa se divertir?
- Sai daqui - Liz disse, empurrando-o.
Mas ele agarrou meu braço.
Antes que eu pudesse reagir, uma sombra surgiu atrás dele.
- Solta ela. - A voz era fria, firme, impossível de não reconhecer.
Lorenzo.
Ele estava de paletó, olhar sombrio, e a presença dele fez o bar inteiro silenciar.
O cara soltou meu braço imediatamente.
- Eu só tava brincando, senhor Castellani.
- Brincadeira é coisa que você faz entre amigos - Lorenzo respondeu, se aproximando. - E elas não são suas amigas.
- Claro... claro, senhor. - O homem recuou, visivelmente pálido.
Lorenzo olhou para mim.
- Você está bem?
Assenti, mesmo com o coração disparado.
- Sim, senhor.
Ele olhou para Liz.
- Levem o vinho para viagem. E, da próxima vez, Zara... - Ele parou um segundo, os olhos fixos nos meus. - ...me avise se alguém cruzar o limite.
Saímos dali em silêncio.
Quando o carro parou em frente ao meu prédio, ele segurou o volante por um momento, como se quisesse dizer algo.
- Você não devia andar por aí sozinha à noite - disse por fim.
- Eu não estava sozinha.
- Ainda assim. - Ele virou o rosto, respirou fundo. - Boa noite, Zara.
- Boa noite, senhor Castellani.
Entrei no prédio com o coração batendo no ritmo errado, e uma certeza perigosa me atravessou:
quanto mais eu tentava fugir de Lorenzo Castellani, mais o destino me empurrava para os braços dele.







