Capítulo 17
Isabella Falconi
A luz fraca que atravessava as cortinas me fez gemer de dor.
Minha cabeça latejava como se mil martelos batessem dentro do meu crânio. A boca seca, o gosto amargo… ressaca. E da pior espécie.
Tentei mover o corpo, mas tudo parecia pesado. O lençol macio, o perfume amadeirado e o silêncio do quarto não pertenciam ao meu. Pisquei algumas vezes, e quando a visão finalmente clareou, vi algo — ou melhor, alguém — sentado na poltrona, à meia-luz.
Enzo Coppola.
O Don estava ali, perfeitamente composto, as mangas da camisa branca dobradas, o relógio de ouro brilhando no pulso. Me observava como se cada respiração minha fosse um crime que ele estava prestes a julgar.
— Então é assim que a senhorina Falconi se comporta quando está longe dos olhos do pai? — a voz dele soou baixa, rouca, mas carregada de frieza. — Eu não aceito ser feito de idiota, Isabella. Da próxima vez que isso acontecer… haverá cons