Capítulo 16
Enzo Coppola
O relógio da parede marcava quase duas da manhã quando ouvi o som dos pneus contra o cascalho.
Um carro entrando pelo portão principal da mansão.
Tarde demais para visitas.
Fechei a pasta de relatórios do conselho e me levantei, o copo de uísque ainda pela metade na mesa.
O gosto amargo do álcool já não queimava mais — parecia fraco perto do que eu sentia por dentro.
Desde o jantar, Isabella vinha me tirando do eixo.
Ela mal olhou para mim a noite toda, e ainda teve a ousadia de rir das piadas do meu irmão, de beber até o ponto de esquecer onde estava.
Matteo e Francesca sumiram com ela depois do jantar, e eu sabia, sabia, que aquela ideia não era dela.
Fiquei acordado esperando.
Esperando, porque algo dentro de mim não deixava descansar enquanto ela não voltasse.
O som do motor parou diante da escadaria.
Fui até o corredor, e o que vi fez o sangue ferver instantaneamente.
Matteo