Capítulo 6
Naquela noite, Cristiane acabou amarrada por Vinícius e jogada no porão.

Do lado de fora da porta de ferro, a voz dele soava gelada como uma lâmina de gelo:

— Cris, eu já disse que você não podia contar nada para a Jaqueline. Por que você nunca me obedece.

No mesmo instante, o corpo de Cristiane começou a tremer violentamente. Ela ofegava como se o ar estivesse sumindo de dentro de seus pulmões.

Ela bateu na porta de ferro com toda a força que ainda lhe restava:

— Não fui eu. Eu não falei com ela... Me tira daqui... Eu vou morrer aqui dentro.

Sua força se esvaía pouco a pouco, e o homem do lado de fora não demonstrava a menor compaixão.

— Cris, quem erra precisa ser punida. Hoje você vai ficar aí, refletindo.

Quando a última faixa de luz se apagou, o porão mergulhou em escuridão absoluta.

Ele sabia perfeitamente que ela tinha claustrofobia severa e, mesmo assim, escolhia puni-la da forma que ela mais temia.

Cristiane se encolheu num canto, abraçando o próprio corpo. Respirava de maneira descompassada, quase sufocando.

Pouco antes de perder a consciência, um fragmento turvo de memória surgiu em sua mente.

Naquele ano eu lavava pratos na cozinha de um restaurante. Depois do expediente o chef trancou o lugar, deixando apenas a mim lá dentro.

No desespero eu liguei para o Vinícius pedindo socorro.

Dez quilômetros de distância... E o Vinícius levou apenas dez minutos para chegar e me tirar dali.

Depois eu só fiquei sabendo que, para chegar tão rápido, ele avançou mais de uma dezena de sinais vermelhos.

Eu chorava enquanto chamava ele de idiota, perguntando o que faria se tivesse sofrido um acidente.

Mas o Vinícius apenas me apertou com força nos braços e disse:

— A sua vida vale mais que a minha. Sem você eu não tenho motivo nenhum pra viver.

Ele realmente já a amara com intensidade fervorosa e absoluta.

Cristiane, porém, percebia que agora, por causa de Jaqueline, ele já não se importava mais com sua vida.

Uma lágrima salgada escorreu pelo canto de seu olho, e ela desmaiou por completo.

Na manhã seguinte, alguém finalmente a puxou para fora do porão.

O sol bateu em seu rosto, tão branco e tão forte que quase machucava.

Vinícius, impecável em um terno alinhado, estava sentado no quintal, observando com calma sua figura miserável:

— E aí, como foi ficar trancada? Se ousar incomodar a Jaque de novo, não vai ser só uma noite.

A garganta de Cristiane se apertou.

Ele a conhecia, conhecia cada uma de suas fraquezas e sabia exatamente onde enfiar a faca para doer mais.

Ela ergueu os olhos para o homem à sua frente. Um calafrio percorreu sua espinha.

Os olhos estavam vermelhos. Ela lutou para ficar de pé e, de repente, soltou uma risada amarga.

— Nunca mais. Nem por toda a vida.

Vinícius não a olhou outra vez. Ele apenas se levantou e saiu às pressas.

Com passos pesados, Cristiane seguiu em direção ao hospital. Não queria que a tia a visse naquele estado deplorável.

Mas mal havia cruzado o portão quando sua visão escureceu de repente. Alguns homens fortes a agarraram e a jogaram dentro de um carro.

Quando abriu os olhos novamente, percebeu que ela e Jaqueline estavam presas juntas em uma fábrica abandonada.

Dois homens mantinham facas pressionadas contra o pescoço de cada uma.

Logo Vinícius chegou. Ao ver a cena, o pânico inundou seu olhar.

— Quem são vocês. Soltem as duas. Se querem alguma coisa, venham pra cima de mim.

— Sr. Vinícius, que bravura... — Um homem magro saiu das sombras. A voz dele soava fria como aço. — Não sei se o senhor ainda se lembra de mim?

Quando Vinícius finalmente enxergou o rosto dele, sua expressão mudou na hora.

— Fernando? Você tá maluco. Aquela história não teve nada a ver comigo. Você estava doente, e por isso a matriz ofereceu a promoção pra mim.

— É mesmo? Todo mundo sabia que, naquela época, você faria qualquer coisa pra subir na carreira. Eu te considerava um amigo de verdade e você me virou as costas, me vendeu. Agora a sua empresa está prestes a abrir capital, enquanto eu... Eu não tenho mais nada. — O rosto pálido de Fernando se contorceu num sorriso torto. O olhar dele deslizou lentamente pelos rostos de Jaqueline e Cristiane. — Vinícius, já que no passado você forçou a empresa a escolher entre nós dois... Hoje eu vou deixar você escolher também. Entre essas duas mulheres escolha uma. A outra fica ao meu dispor.

Jaqueline desmoronou em lágrimas, gritando em pânico:

— Vini. Me salva. Pelo amor de Deus, me salva.

Cristiane prendeu a respiração. O coração batia tão forte que parecia arrebentar seu peito.

Vinícius mergulhou em completo desespero.

— Solta as duas. Você quer dinheiro, não quer? Quanto? Fala um número. Eu pago.

O olhar de Fernando se tornou subitamente cruel.

— Já que o Sr. Vinícius não quer escolher... Então eu não devolvo nenhuma.

Ele levantou a mão em um gesto curto.

Os bandidos ao lado dele golpearam quase ao mesmo tempo, cada um mirando uma das mulheres.

O sangue espirrou pelo chão.

O grito de Jaqueline rasgou o ar, enquanto Cristiane cerrava os punhos com toda a força.

O rosto estava branco como papel. Gotas grossas de suor frio deslizavam por sua testa. Seu corpo tremia diante da dor lancinante.

Ao ver aquilo, Vinícius perdeu completamente o controle. O vermelho furioso tomou seus olhos. Ele rugiu:

— Parem. Eu escolho.

Fernando arqueou os lábios em um sorriso carregado de intenção. Uma risada fria escapou de sua garganta:

— Então quem o Sr. Vinícius vai escolher? A esposa que esteve ao seu lado por tantos anos? Ou a herdeira da família Souza, capaz de empurrá-lo direto para o topo da riqueza? Estou realmente curioso.
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