Capítulo 7
O olhar de Vinícius vacilava entre Jaqueline e Cristiane, enquanto lutava internamente. Depois de um breve silêncio, seu olhar enfim se fixou no rosto de Jaqueline.

Com extrema dificuldade, e a voz rouca, ele disse:

— Eu escolho... A Jaqueline.

Assim que a frase cortou o ar, Cristiane sentiu como se toda a força tivesse sido arrancada de seu corpo. Ela desabou no chão como um boneco sem vida.

Fernando soltou uma gargalhada estridente:

— Hahahaha. Vinícius, você continua exatamente igual ao passado. Por um futuro brilhante você é capaz até de abandonar a vida da sua própria esposa.

Ele cortou a corda que prendia Jaqueline e a empurrou na direção de Vinícius.

Vinícius imediatamente se abaixou para pegá-la nos braços, segurando-a com extremo cuidado, como se fosse uma peça frágil de cristal.

— Jaque, não tenha medo. Eu vou te levar pro hospital agora.

Sem hesitação alguma, ele se virou e saiu correndo, como se cada segundo perdido pudesse custar a vida de Jaqueline.

E, no entanto... Ele não lançou sequer um olhar para Cristiane.

Fernando então puxou um chicote e o estalou violentamente nas costas dela.

— Sra. Cristiane, não me culpe por ser cruel. Culpe a si mesma por ter amado o homem errado. A dívida que o Vinícius deixou... Agora é você quem paga.

Golpe após golpe atingiu o corpo de Cristiane, abrindo sua pele e deixando sua carne em tiras sangrentas. A dor lancinante era tão brutal que quase a sufocava. Ela nem sequer conseguia soltar um pedido de socorro.

Em meio ao torpor ela se lembrou daquele ano em que o Vinícius segurava um anel simples e, ajoelhado sobre um dos joelhos, lhe pedia em casamento.

Os olhos dele brilhavam com ardor e sinceridade quando disse: — Cris, casa comigo. Eu vou te proteger por toda a vida.

Mas, Vinícius... Esse "toda a vida" durou tão pouco quanto alguns anos.

Quando recobrou a consciência, Cristiane já estava deitada em uma cama de hospital.

Vinícius se apoiava na lateral da cama, a gravata torta e profundas olheiras marcando seus olhos, como se tivesse passado horas ali vigiando seu sono.

— Acordou? — Ele perguntou.

Cristiane virou o rosto para o lado, evitando a mão que ele estendia em sua direção.

Vinícius recolheu a mão, sem jeito, e tentou se explicar:

— Naquele momento era tudo muito urgente. Eu só podia tirar a Jaque primeiro. Depois eu pensaria em como te salvar. O Fernando é um lunático. Eu não podia arriscar. — A voz dele então se suavizou. — Desculpa, Cris. Eu fiz você sofrer.

— E se eu realmente tivesse morrido nas mãos do Fernando? — Cristiane perguntou de repente, a voz áspera e quase sem som. — Você teria se arrependido?

Vinícius ficou paralisado.

O silêncio que se instalou era tão pesado que parecia esmagar o ar ao redor.

Alguns segundos depois, ele finalmente abriu a boca para responder.

Mas, antes que qualquer palavra saísse, o celular tocou de forma estridente.

— Vini... Onde você está? Tá doendo tanto... — Veio a voz fraca de Jaqueline.

Vinícius olhou instintivamente para Cristiane, formou com os lábios um silencioso "descanse bem" e deixou o quarto.

Assim que ele saiu, Cristiane sorriu.

Aquela hesitação de poucos segundos... Essa já era a resposta.

Ela já não era a primeira opção dele há muito tempo.

E, naturalmente, ele não se arrependeria de não tê-la salvado.

A pergunta dela... É que havia sido tola.

Ao receber alta, Cristiane nem teve tempo de arrumar suas coisas. Foi direto para o aeroporto.

— Cris, quanto tempo. A titia tava morrendo de saudade. — Mônica a envolveu em um abraço apertado.

No instante em que seus corpos se tocaram, as feridas de Cristiane latejaram. Ela soltou um leve suspiro de dor, involuntário.

Só então Mônica percebeu as marcas pelo corpo dela.

— Cris, o que é isso? Como você se machucou assim?

Cristiane respirou fundo e respondeu de maneira despreocupada:

— Nada demais. Caí uns dias atrás.

Mônica ainda parecia desconfiada, mas ao ver que Cristiane não queria falar sobre o assunto, decidiu não insistir.

— E o seu marido? Aliás, ex-marido agora. Por que ele não veio com você? Mesmo com o divórcio eu sou da família, ele deveria ter me cumprimentado por educação, pelo menos.

— Ele anda ocupado com o processo de abertura de capital da empresa. Não teve tempo. — Cristiane baixou o olhar.

— Abertura de capital? — Mônica repetiu, franzindo o cenho. — Que empresa é essa?

— Grupo Ribeiro.

Mônica ficou imóvel por um instante. Era exatamente a empresa que ela voltara ao país para auditar.

— Tia, esquece ele. Vamos. Eu te levo naquele restaurante que você mais gosta.

Durante o jantar, Mônica aproveitou a ida ao banheiro para ligar para sua assistente.

— Investigue a vida pessoal do Vinícius, presidente do Grupo Ribeiro. Eu quero tudo sobre ele.

A assistente agiu rápido. Quando Mônica deixou o restaurante, o celular já estava cheio de mensagens.

Ela percorreu as informações uma a uma e sentiu o peito apertar, os olhos ficando úmidos.

Cristiane percebeu que algo estava errado.

— Tia, o que houve? Você está passando mal?

Mônica segurou a mão dela com força e soltou um suspiro pesado.

— Minha menina... Você sofreu demais todos esses anos. De agora em diante, vou te proteger.

A garganta de Cristiane ardeu com a mágoa represada, mas ela engoliu tudo.

— Eu tô bem, tia.

Nos dias seguintes, Mônica mergulhou no trabalho intenso da auditoria.

Cristiane, por sua vez, começou os preparativos para imigrar.

Tirar o visto, comprar as passagens, arrumar as malas, comprar o necessário. Seus dias ficaram completamente cheios.

Enquanto isso, Vinícius levou Jaqueline para uma ilha paradisíaca para se recuperar.

E, no perfil dele, as postagens sobre os dois apareciam todos os dias.

Primeira postagem:

Os dois caminhando de mãos dadas na beira do mar.

Legenda: "A vida é um oceano sem fim. Sou grato por ter você ao meu lado."

Segunda postagem:

A praia iluminada pelo sol, os dois sentados, encostados um no outro.

Legenda: "Hoje o sol tá lindo. Estamos catando pedrinhas à beira-mar."

Terceira postagem:

O céu da noite repleto de estrelas, fogos brilhando ao fundo.

Legenda: "Ofereço a você a luz das estrelas, pra que sua vida seja eterna tranquilidade."

Cristiane sorria enquanto rolava a tela, lembrando que aquelas mesmas palavras Vinícius já havia dito para ela um dia.

Mas agora... A mulher que recebia aquelas promessas com o coração cheio não era mais ela.

De fato, quando o amor acaba, até a dor deixa de existir.

Ela observou a mansão vazia, sem nenhum vestígio seu, e um sorriso satisfeito surgiu em seus olhos.

Caminhou até o escritório, tirou do dedo o anel simples e o colocou sobre a mesa de Vinícius, ao lado do contrato de transferência de ações.

Se era para ir embora, que fosse sem deixar nada para trás.

Três dias depois, o trabalho de auditoria de Mônica finalmente terminou.

Cristiane foi buscá-la para irem ao aeroporto. No caminho, perguntou casualmente:

— Tia, deu tudo certo no trabalho dessa vez?

Os olhos de Mônica brilharam por um instante. Ela respondeu com tranquilidade:

— Essa empresa tinha muitos problemas. No fim não passou na auditoria para abertura de capital. Provavelmente não vai conseguir entrar na bolsa.

— Ah... Que pena. — Cristiane murmurou, virando o rosto para a janela, sem perceber que, nas mãos da tia, o relatório trazia claramente o nome "Grupo Ribeiro" na capa.

A cidade foi ficando cada vez menor atrás dela, até se transformar num borrão indistinto.

Ela finalmente estava deixando o lugar onde, um dia, ela e Vinícius haviam vivido como se dependessem um do outro para respirar.

Depois de concluir o check-in, Cristiane pegou o celular e apagou tudo que tinha relação com Vinícius.

Do outro lado da cidade, o telefone de Vinícius tocava.

— Sr. Vinícius, a auditoria financeira não foi aprovada. O senhor precisa voltar imediatamente.

O coração dele despencou.

— Repete isso... O que não foi aprovado?
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