Mundo de ficçãoIniciar sessãoDurante três anos, Clarissa Venâncio foi dócil, atenciosa e impecável em tudo o que fazia. Em troca, recebeu apenas o aviso da morte do próprio pai. Ela conteve todas as arestas de sua personalidade, agiu sempre com discrição, cumpriu cada dever com perfeição e cuidou de tudo nos mínimos detalhes, apenas para conseguir acesso aos recursos médicos que estavam nas mãos dele. No entanto, uma única frase, dita com descaso: "O pai dela precisa mais", esmagou a última esperança que ainda restava em seu coração. Clarissa acreditava que Eduardo Alcântara era sua tábua de salvação. Nunca imaginou que ele seria, na verdade, a sentença que a conduziria à ruína. No dia em que o funeral terminou, ela assinou os papéis do divórcio e foi embora sem olhar para trás. Pela primeira vez, aquele homem sempre arrogante, intocável e acostumado a estar acima de todos apareceu diante dela com os olhos vermelhos, deixando o orgulho de lado para implorar que ficasse. Clarissa soltou uma risada sarcástica. Quando ele entregou aqueles recursos a outra pessoa sem a menor hesitação, será que sequer imaginou que um dia se arrependeria? — Desculpe, Sr. Eduardo, mas, por favor, suma daqui. Você está bloqueando o meu caminho. — Ela disse friamente.
Ler maisClarissa dirigiu o mais rápido que pôde. Quando chegou à mansão, Eduardo estava parado diante da janela de vidro, perdido em pensamentos.Ao vê-la entrar daquela forma, ele claramente ficou surpreso.Ela não disse nada, simplesmente jogou a captura de tela da notícia na frente dele.Eduardo endireitou o corpo, pegou o celular e, depois de ver o conteúdo, franziu imediatamente a testa.— O que está acontecendo?— Foi você? — A voz de Clarissa era fria, quase assustadora.Eduardo estreitou os olhos, como se estivesse tentando entender e processar o significado daquela pergunta.— Você acha que fui eu quem expôs isso? — Ele soltou uma risada de raiva. — Clarissa, é isso que você pensa de mim?Ela apenas ficou olhando para ele, sem responder.O rosto de Eduardo escureceu. O olhar de desconfiança dela fez a raiva subir dentro dele, mas ele a conteve e desviou os olhos para a janela.— Eu pedi para manterem seu nome na lista de classificados. Eu apenas intercedi por você. Mas não cheguei ao
— O que aconteceu? Fale devagar. — Clarissa franziu a testa e uma sensação ruim surgiu em seu peito.— Alguém denunciou que a senhora conseguiu entrar na competição por meios ilegais, que teve contato privado com os jurados. O perfil oficial da competição virou uma bagunça completa. — Bruna respondeu, a voz claramente nervosa. O coração de Clarissa apertou.Ela abriu rapidamente o Twitter e foi direto para a área de comentários da conta oficial.[Clarissa Venâncio? Quem é essa? Nunca ouvi falar e já está classificada?][Ouvi dizer que ela tem um patrocinador por trás. Tsc, tsc][Elegance, não é? Vou passar longe. Que tipo de qualidade uma marca dessas pode oferecer?]Abaixo, as pessoas exigiam que ela abandonasse a competição, que a organização desse uma explicação e que ela viesse a público pedir desculpas.Quando abriu o perfil oficial da marca Elegance, a situação era ainda pior. Os comentários já ultrapassavam dez mil. Pela uniformidade das mensagens, era evidente que havia uma on
Vendo que ele continuava calado, Renato perdeu a paciência. Limitou-se a acrescentar a última frase:— Não me importa o que você faça. Em hipótese alguma esse casamento pode terminar em divórcio. A família Alcântara não permite esse tipo de coisa.Assim como tinha acontecido com sua mãe.Eduardo lançou-lhe um olhar descontente antes de se levantar e sair da residência.Wilson curvou-se respeitosamente e o seguiu até o carro.Durante o trajeto, Eduardo permaneceu olhando pela janela, com as sobrancelhas profundamente franzidas. Quanto mais se lembrava das palavras do pai, mais ridículas elas lhe pareciam.Renato o criticava por ser frio, insensível e incapaz de distinguir o que realmente importava. Mas ele não era exatamente igual?Naquela época, quando a família materna havia sido injustamente acusada pelos rivais, sua mãe implorou que ele ajudasse, mas a resposta foi:— O Grupo Alcântara está em plena expansão. Não vou comprometer o futuro da empresa por causa de um assunto insignific
Diogo observou atentamente os olhos ainda levemente inchados dela.— Então, seus olhos estão assim porque você chorou ontem. — Seu tom permaneceu rígido.Clarissa sorriu, sem jeito, e não respondeu.— Você ainda sente algo por ele? — Ele perguntou.A mão de Clarissa, que segurava a colher, parou no ar. Os cílios tremeram de leve.Será que ainda sentia algo por ele?Pensando bem, talvez, desde o momento em que ele abriu mão da vaga cirúrgica destinada a Hernandes, ela tivesse perdido completamente a esperança nele.— Acho que não. — Balançou lentamente a cabeça. — Não quero mais ter nenhum tipo de envolvimento com ele.Claro que seria mentira dizer que seu coração permanecia completamente indiferente. Ela ainda estava aprendendo a se desprender e a esquecê-lo. Era apenas uma questão de tempo.Ao pensar na competição, lembrou-se do olhar que Beatriz lhe lançou durante a semifinal.— Aquela Beatriz é discípula da mestra Elisa, não é?— Sim. — Diogo assentiu. — A família Ferraz tem ligaçõe
Último capítulo