Quando os últimos convidados do funeral finalmente foram embora, já passava das dez da noite.Clarissa voltou para casa arrastando os pés, exausta, e, ao entrar, seus olhos pousaram sobre um par de sapatos no hall de entrada.Seu marido, incomunicável há sete dias, tinha voltado.A morte de seu pai tinha sido repentina. Do agravamento do estado de saúde até o falecimento, tudo aconteceu em apenas três dias. Nesse período, Clarissa ligou para Eduardo mais de cinquenta vezes, mas nenhuma chamada foi atendida.Do hospital ao crematório, e do crematório ao funeral, se não fosse pela ajuda dos parentes e amigos, ela provavelmente teria desabado.O cheiro das velas do velório ainda estava impregnado em suas roupas, destoando completamente da fragrância de pinheiro que preenchia a casa.Com o rosto tomado pelo cansaço, ela deixou a bolsa sobre o armário, calçou os chinelos e entrou.Na sala, o homem estava encostado junto à janela, falando ao telefone.Clarissa permaneceu imóvel no corredor,
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