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Capítulo 4 — Ora, ora... quanto tempo, Eduardo
O jantar de negócios terminou mais cedo do que Clarissa imaginava. Ela se levantou para pegar a bolsa, mas a pessoa ao seu lado foi mais rápida.

— Eu levo você. — Não era uma pergunta, era uma afirmação.

Diogo sempre era assim.

Ela não recusou, porque, mesmo que recusasse, o resultado seria o mesmo. Sempre foi assim desde a infância. Se Eduardo era um homem autoritário, Diogo não ficava muito atrás. Às vezes, ela realmente tinha vontade de ver os dois frente a frente, para descobrir como seria esse confronto.

No fim das contas, o mundo é mesmo pequeno.

Os dois saíram da sala privada.

O ar-condicionado do corredor parecia ainda mais frio do que o da sala, e ela, instintivamente, esfregou os braços.

Ao dobrar a esquina do corredor, uma figura fez seus passos pararem abruptamente. A cerca de dez metros de distância, um homem familiar estava parado à porta de outra sala, falando ao telefone. Ele vestia um terno cinza e tinha uma postura alta e impecável.

Era Wilson, o assistente de Eduardo. E, se Wilson estava ali, então Eduardo também estava.

Clarissa parou automaticamente, sua mente ficou completamente vazia por um instante. Ela não queria ser vista, não queria dar explicações, muito menos ouvir Eduardo perguntar:

— Quem é esse homem?

Durante aqueles três anos de casamento, ela havia explicado coisas demais. E cada explicação parecia uma tentativa de provar que não tinha feito nada de errado. Então ela não queria mais se justificar, nem mesmo ter qualquer contato com Eduardo.

Clarissa deu meio passo para trás e seu ombro quase tocou o peito de Diogo.

— Vamos por aquele lado. — Ela baixou a voz. — Também tem elevador por lá.

Enquanto o divórcio não fosse concluído oficialmente, ela não queria criar nenhum conflito desnecessário.

Diogo olhou para o fim do corredor, entendendo imediatamente por que ela estava agindo daquela forma, e segurou levemente seu pulso.

— Clarinha. — A voz veio de cima, carregando uma emoção que ela não conseguia descrever. — Do que você está fugindo?

Ela mesma não sabia explicar do que estava fugindo. Já havia entrado com o pedido de divórcio, já havia saído de casa e, muito em breve, perante a lei, eles deixariam de ter qualquer vínculo.

Mesmo assim, no instante em que viu Wilson, seu coração disparou. Era como se tivesse sido pega em flagrante ou como se estivesse com medo.

Mas medo de quê? De Eduardo vê-la ao lado de outro homem?

Ridículo.

Do que exatamente ela estava com medo?

Rapidamente encontrou uma justificativa para si mesma: se Eduardo os visse juntos, o divórcio certamente teria complicações. Ele pensaria que ela o havia traído, ocuparia a posição de vítima moral e, talvez, até usasse isso para dificultar a divisão de bens.

Instintivamente, ela tentou soltar o pulso, mas os dedos de Diogo apenas apertaram com mais firmeza. Sem hesitar, ele começou a caminhar em direção ao outro lado do corredor, e Clarissa foi obrigada a acompanhá-lo, quase tropeçando.

— Diogo! — Ela manteve a voz baixa. — Me solta!

Ele não respondeu, nem diminuiu o passo, sua atitude era firme e inquestionável.

Wilson desligou o telefone e, ao levantar a cabeça, arregalou os olhos.

— Sra. Clarissa? — Perguntou incrédulo.

A proximidade entre os dois fez o rosto de Wilson perder a cor. Por reflexo, ele olhou para a porta atrás de si.

Clarissa tentou novamente puxar a mão, mas Diogo não demonstrava a menor intenção de soltá-la.

Ela virou o rosto para encará-lo e viu seu olhar de divertimento completamente indisfarçável.

Clarissa cerrou os dentes. Ele estava fazendo aquilo de propósito.

No segundo seguinte, a porta da sala se abriu. Eduardo saiu, segurando o celular, aparentemente respondendo a uma mensagem. Primeiro olhou para Wilson, depois seguiu a direção do olhar do assistente e viu Clarissa. Em seguida, viu Diogo. E, por fim, a mão dele segurando o pulso de Clarissa.

O ar pareceu congelar.

Os olhos de Eduardo estreitaram-se lentamente. Ele girou o celular entre os dedos antes de guardá-lo no bolso. Seu olhar pousou sobre Clarissa. Era um olhar silencioso, mas deixava uma pergunta evidente: "Não vai se explicar?"

Clarissa permaneceu imóvel e Diogo continuava segurando seu pulso.

O corredor inteiro mergulhou num silêncio sufocante. Wilson teve a impressão de que até respirar estava difícil e, discretamente, recuou para dentro da sala.

Diogo observou os dois por alguns segundos, depois soltou uma leve risada.

— Que coincidência, Sr. Eduardo.

Eduardo nem sequer olhou para ele, continuou encarando Clarissa.

— Venha aqui. — Sua voz era tão fria que parecia carregar gelo. As duas palavras pareciam ter sido arrancadas entre os dentes.

Diogo soltou o pulso dela, e Clarissa mal teve tempo de respirar aliviada antes de seu coração disparar novamente. Com absoluta tranquilidade, Diogo caminhou até Eduardo.

— Ora, ora... quanto tempo, Sr. Eduardo! — Seu tom continuava descontraído.

Só então Eduardo desviou os olhos de Clarissa e fitou o homem à sua frente, que tinha praticamente a mesma altura.

Ele o reconheceu imediatamente.

Diogo, presidente do Grupo Vanguarda. O jovem magnata que havia surgido repentinamente no mercado internacional há três anos. Um homem de passado misterioso e métodos implacáveis.

Os dois já haviam se encontrado na Conferência Global de Negócios.

Na época, Diogo também exibia a mesma calma inabalável. No instante em que passaram um pelo outro, ele soltou, sem qualquer explicação:

— Nos veremos de novo, Sr. Eduardo.

Naquele tempo, ele ocupava apenas o cargo de diretor regional do Grupo Vanguarda, então Eduardo não deu muita importância. Quem diria que, em apenas três anos, aquele homem se tornaria presidente do Grupo Vanguarda?

Era evidente que sua habilidade e ambição estavam muito acima do comum. O que Eduardo jamais imaginava era que um dia o encontraria segurando a mão de sua esposa.

— Sr. Diogo? — Com as mãos nos bolsos, Eduardo lançou-lhe um olhar nada amigável. — Agradeço por acompanhar minha esposa, mas isso não lhe parece inapropriado?

— Sua esposa? — Diogo repetiu lentamente as palavras, com o canto de seus lábios curvado. — Pelo que sei, Clarinha já enviou os papéis do divórcio para o seu escritório.

Papéis do divórcio?

O coração de Eduardo afundou. Dentro do bolso, sua mão fechou-se violentamente em um punho. Mas seu rosto permaneceu completamente inalterado.

— Não passa de um pequeno desentendimento entre marido e mulher. Não é algo que lhe diga respeito. — Ele falou devagar, num tom indiferente.

Deu um passo à frente e tentou ultrapassá-lo. Mas Diogo moveu-se para o lado, bloqueando seu caminho.

— Pequeno desentendimento? Você tirou, sem consultá-la, os recursos médicos destinados ao pai dela para entregá-los a outra mulher. Depois desapareceu sem deixar notícias, deixando-a sozinha em Altânia. O senhor chama isso de um pequeno desentendimento?

Eduardo ficou em silêncio por um instante. Seu olhar voltou a pousar sobre Clarissa.

— Aparentemente, a minha esposa realmente conta tudo para você. — Havia sarcasmo em sua voz. — Pelo visto, não guarda segredo algum.

Atrás do corpo, Clarissa apertou os punhos com força e seu olhar tornou-se complexo ao observar Diogo.

Ele sabia que ela procurava recursos médicos. Sabia que ela tinha enviado o acordo de divórcio ao Grupo Alcântara. Sabia até qual tinha sido o verdadeiro motivo da separação.

Ele estava investigando-a de novo? O que exatamente ele pretendia com aquilo?

Diogo virou-se para ela e sorriu suavemente.

— A minha relação com a Clarinha está longe de ser tão simples quanto o senhor imagina.

Era uma provocação. Uma provocação escancarada.

O sorriso de Eduardo quase desapareceu por completo. A raiva lhe subiu à cabeça, tão intensamente, que até o olhar de Clarissa acabou sendo interpretado por ele da maneira errada.

— Clarinha? — Ele deu um passo à frente e sua mão pousou pesadamente sobre o ombro de Diogo. O frio em seus olhos parecia capaz de atravessá-lo. — Nós vamos indo. Fique à vontade, Sr. Diogo.

Sem esperar resposta, Eduardo agarrou o braço de Clarissa.

Ela tentou se desvencilhar, mas não conseguiu.

— Não olhe para trás. — A voz dele soou junto ao seu ouvido, reprimindo a própria fúria.

Os dois desapareceram no fim do corredor. Somente então o sorriso no rosto de Diogo desapareceu por completo. Girando distraidamente o anel em seu dedo indicador, murmurou para si mesmo:

— Ora, ora... quanto tempo, Eduardo.

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