Início / Romance / Sem Perdão: O Recomeço de Clarissa / Capítulo 3 — Clarinha, eu nunca mais vou embora
Capítulo 3 — Clarinha, eu nunca mais vou embora
Nos dias que se seguiram à mudança para Vila Enseada, Clarissa simplesmente ignorou o "monólogo" de Eduardo. Além de cumprir normalmente sua rotina de trabalho durante o dia, dedicou toda a sua energia a algo que, para ela, era mais importante do que qualquer outra coisa:

Elegance.

Elegance era a marca de vestidos tradicionais criada por seu pai em homenagem à sua falecida mãe.

A marca já foi muito conceituada no ramo, mas, após a grave doença de seu pai, foi abandonada por vários anos. Os artesãos qualificados foram se dispersando um a um, os fornecedores de tecidos, parceiros de longa data, perderam o contato. Até o site oficial da marca ficou inativo por um longo tempo.

Agora, ela queria realizar o último desejo de seus pais e reviver a Elegance.

Embora muitos antigos clientes ainda deixassem mensagens nas redes sociais e tentassem encontrar notícias da marca, aquilo não passava de uma gota no oceano.

Além de reunir novamente os antigos artesãos espalhados pelo país, a prioridade ainda mais urgente era restabelecer uma cadeia de fornecimento de tecidos de altíssima qualidade.

Durante aqueles dias, Clarissa procurou contatos por toda parte, conversou com diversos fornecedores. Alguns ofereciam tecidos de qualidade inferior, outros recusavam o pedido porque a quantidade encomendada era muito pequena.

Depois de muitas tentativas, ela finalmente encontrou um fornecedor tradicional especializado em sedas nobres e tecidos de alta-costura.

Às seis da tarde, Clarissa chegou dirigindo ao Hotel Capital.

A reunião havia sido marcada em um salão privado no último andar. Decorado em estilo tradicional, o hotel exibia portas vermelhas entalhadas, corredores elegantes e uma atmosfera serena. Era um dos lugares preferidos da elite empresarial para negociações e banquetes.

A recepcionista cumprimentou-a respeitosamente e, após confirmar sua reserva, conduziu-a até o elevador.

No momento em que as portas do elevador se fecharam, uma figura vestida de preto, cercada por várias pessoas, entrou por uma porta lateral do hotel.

— Sr. Eduardo, por aqui, por favor.

Quando negociou aquela parceria, a assistente da outra parte lhe tinha dito que o proprietário conhecia muito bem a marca Elegance. E, inclusive, tinha encontrado com seu pai algumas vezes no passado, o que os tornava conhecidos. Assim que soube que quem desejava negociar era Clarissa, o responsável concordou imediatamente com a reunião.

Ela estava curiosa para descobrir quem era essa pessoa.

Depois de agradecer aos funcionários, empurrou suavemente a porta da sala. Assim que entrou, uma mulher usando um elegante terno aproximou-se sorrindo.

— Srta. Clarissa, seja bem-vinda. Sou Raíssa Santana, secretária executiva do presidente do Grupo Vanguarda.

Clarissa reconheceu imediatamente aquela voz. Era justamente a pessoa que tinha negociado tudo com ela por telefone.

Grupo Vanguarda? Ela pensava que negociaria com a Tecelagem Imperial. Como tinha se transformado no Grupo Vanguarda?

— A Tecelagem Imperial foi incorporada ao Grupo Vanguarda há cerca de quinze dias. — Percebendo sua surpresa, Raíssa explicou gentilmente. — Nossa empresa sempre atuou principalmente no mercado internacional, mas nos últimos anos decidimos expandir nossas operações para o mercado doméstico. Por isso, todas as negociações e parcerias passaram a ser conduzidas diretamente por nós.

Clarissa já tinha ouvido falar do Grupo Vanguarda. Era uma empresa internacional especializada em artigos de luxo, famosa por organizar desfiles de alta-costura, jantares de gala e grandes eventos. Expandir para o mercado interno por meio do setor de tecidos tradicionais de alto padrão realmente fazia sentido. O que ela não conseguia entender era por que uma marca tão pequena como a Elegance mereceria ser recebida pela secretária executiva do presidente da empresa.

— Por favor, Srta. Clarissa. O presidente Diogo já está esperando há algum tempo.

"Presidente Diogo..." De repente, um pensamento surgiu em sua mente.

Seguindo Raíssa pelo corredor, ela entrou no amplo salão privado.

Depois de atravessar um elegante corredor interno, viu um lustre de cristal iluminando o ambiente tradicional. No centro da mesa redonda havia uma composição paisagística envolta por uma fina névoa branca, criando uma atmosfera elegante e refinada.

Seu olhar avançou e encontrou diretamente o homem sentado na cadeira principal. Vestido com um terno casual cinza, ele permanecia recostado confortavelmente na cadeira. Segurava uma xícara de chá com a ponta dos dedos apoiada na mesa.

— Clarinha. — Ao vê-la entrar, seus belos olhos amendoados se iluminaram de alegria.

Como uma pedra atirada em um lago, o coração de Clarissa deu um salto.

Diogo.

Ela só tinha ouvido Marina mencionar o seu retorno ao país, mas agora ele estava realmente diante dela. E, ainda assim, tudo ainda parecia um sonho. Ela nunca imaginou que voltaria a vê-lo.

Enquanto permanecia atônita, ele já havia caminhado até seu lado.

Diogo lançou um olhar discreto para Raíssa, ela compreendeu imediatamente e retirou-se.

O perfume familiar de pinheiro envolveu Clarissa. No instante seguinte, ela foi envolvida por um abraço gentil. Junto ao seu ouvido, a voz grave dele sussurrou:

— Clarinha, eu voltei.

A mente de Clarissa ficou completamente em branco. As lembranças a transportaram para aquele verão distante, quando ela e seu pai "encontraram" Diogo pela primeira vez, diante de um depósito de sucata.

Dos dez aos vinte anos, ele aparecia e desaparecia em sua vida sem qualquer aviso.

Depois daquele acidente de carro, ele sumiu sem deixar vestígios. Agora voltava como presidente do Grupo Vanguarda.

Diogo contemplou Clarissa, em quem havia pensado durante tantos anos, com os olhos cheios de ternura.

— Eu nunca mais vou embora. — Seus dedos acariciaram discretamente o dedo anelar dela, enquanto dizia em voz baixa.

Clarissa sustentou seu olhar. Era um rosto ao mesmo tempo familiar e desconhecido. A ingenuidade da juventude havia desaparecido, seus traços tornaram-se mais marcantes, sua elegância era inegável. Atrás dos óculos de aro dourado, aqueles olhos negros continuavam tão profundos quanto antes.

Quem poderia imaginar que aquele homem, refinado e nobre, já havia disputado restos de comida com cães de rua em um lixão?

Diogo inclinou ligeiramente o corpo e abraçou-a novamente.

A proximidade repentina deixou Clarissa desconfortável. Talvez porque fazia muito tempo desde a última vez que se viram. Ou talvez porque agora ele ocupasse uma posição completamente diferente.

— Isso é bom. — Ela o afastou delicadamente e, um sorriso educado surgiu em seus lábios.

O distanciamento sutil em sua atitude fez Diogo hesitar por um instante. Logo, porém, recuperou a expressão habitual. Segurou a mão dela, a conduziu até a mesa e puxou a cadeira para que ela se sentasse.

Clarissa não fez cerimônia e sentou-se naturalmente.

— Ouvi dizer que você vai se divorciar.

Ela ficou imóvel por um instante, sem responder. Em vez disso, retirou de sua bolsa uma pasta com o plano de negócios.

— Vamos falar sobre a Elegance. — Ela ergueu os olhos. — O Grupo Vanguarda comprou a Tecelagem Imperial, mas não foi apenas para expandir o mercado interno, foi?

Ao perceber que ela evitava deliberadamente o assunto do divórcio, Diogo apenas sorriu e recostou-se na cadeira.

— Conheço muito bem a Elegance. — Ele pegou a pasta das mãos dela e começou a folheá-la. — É uma marca criada pelo nosso pai. Embora tenha ficado parada durante alguns anos, sua base continua sólida, e os antigos clientes ainda confiam nela. O que o Grupo Vanguarda deseja fazer é revivê-la.

"Nosso pai"

Ao ouvir aquelas palavras, o peito de Clarissa voltou a apertar de dor.

— Não é o Grupo Vanguarda. — Ela olhou para ele, afirmando sem rodeios. — É você, não é?

— E se for? — Diogo sorriu. — Eu não tenho o direito de fazer algo por você e por ele?

...

À frente de Eduardo, o copo de bebida permanecia quase intocado. Completamente alheio aos brindes e conversas ao redor, a tela de seu celular acendia e apagava repetidamente.

Na conversa com Clarissa, continuava apenas a última mensagem enviada por ele naquela noite. Quatro dias se passaram e nenhuma resposta.

— Sr. Eduardo, o Sr. Juliano está brindando com o senhor. — Ao seu lado, Wilson lembrou discretamente.

Eduardo ergueu lentamente as pálpebras, pegou o copo sem entusiasmo e tocou levemente no copo do outro homem. O álcool desceu queimando pela sua garganta, fazendo-o franzir a testa.

Ele afrouxou a gravata, incapaz de conter a irritação que sentia. Era uma sensação completamente desconhecida. Nem mesmo quando tinha rompido relações com o próprio pai sentiu algo assim.

A luz do celular refletia suas sobrancelhas franzidas. Por mais zangada que Clarissa estivesse, nunca passava mais de dois dias sem entrar em contato com ele.

— A Sra. Clarissa parece estar bastante ocupada com a Elegance ultimamente. — Wilson, percebendo a impaciência dele, hesitou por um momento antes de explicar.

Elegance? Aquele pequeno ateliê nada promissor que pertencia ao pai dela?

Eduardo lembrava vagamente que, algum tempo antes, Clarissa perguntou se havia alguma forma de reerguer a marca. Ele até respondeu, mas já não lembrava o que havia dito.

Seus dedos giraram lentamente o copo e uma risada de desprezo escapou.

O que tem de tão especial nisso?

Bastava que ela abrisse a boca e ele poderia lhe dar dez ateliês iguais àquele.

— Ela realmente gosta de arrumar problema para si mesma. — Ele zombou.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App