Luna Santiago descobriu que permanecer exige mais coragem do que partir.
Ela entendeu isso naquela manhã, ao atravessar o corredor principal da mansão Valmont e perceber que nada havia mudado — e, ainda assim, tudo estava diferente. Os mesmos quadros nas paredes, o mesmo brilho contido do mármore, o mesmo silêncio elegante. Mas agora, aquele silêncio não era neutro. Era vigilante.
Desde a noite anterior, rumores haviam se infiltrado na casa como fumaça invisível. Nenhum funcionário comentava abertamente, mas Luna sentia nos olhares desviados, nas frases interrompidas, nos passos que se aceleravam quando ela passava.
O sistema começava a reagir à ameaça.
E ela era a ameaça.
No quarto de Elias, o menino estava sentado no chão, organizando pequenos objetos em fileiras perfeitamente alinhadas. Luna observou por alguns segundos antes de falar. Conhecia aquele padrão: Elias só fazia isso quando tentava organizar pensamentos grandes demais para a própria idade.
— Você não dormiu — ela disse