Luna Santiago passou a madrugada acordada.
Não pela mensagem anônima — essa já havia sido apagada —, mas pela clareza que viera depois dela. O tipo de clareza que não permite mais fingimento. O sistema Valmont não estava tentando apenas silenciá-la. Estava tentando reescrever a história enquanto ela ainda respirava dentro dela.
A investigação interna aberta contra Elias não era burocrática. Era simbólica. Um aviso elegante de que a estrutura sabia punir quem se afastava da rota prevista.
Ela caminhou pela mansão ainda antes do nascer do sol. O silêncio ali não era paz; era contenção. Funcionários se moviam com cuidado excessivo, como se cada passo pudesse ser interpretado.
Quando encontrou Adrian na biblioteca, ele já estava em uma chamada com o jurídico.
— Não — ele dizia. — Isso não é governança. É coerção institucional.
Desligou ao vê-la.
— Eles querem acesso aos relatórios médicos do Elias — disse. — Alegam “preocupação com a capacidade decisória”.
Luna sentiu o corpo reagir antes