Rafael Ventura
A fazenda estava quieta demais. E quando tudo fica quieto assim, alguma coisa sempre dá errado.
Entrei na sala ainda com o cheiro de terra nas mãos. Tinha acabado de soltar uma garrota presa na cerca atrás do galpão de ração. O peito ainda subia e descia pesado quando atravessei a porta.
E parei.
Melissa estava no sofá.
Com o meu celular na mão.
Como se fosse dela.
Meu maxilar travou.
— O que você está fazendo com o meu celular, Melissa?
Ela não se sobressaltou. Apenas bloqueou a