MELISSA MENDONÇA
O som do cristal se estilhaçando contra a parede de mármore italiano foi a única coisa que me trouxe um segundo de prazer nos últimos dez minutos. O vaso de Murano, que custou mais do que o salário anual daquela gentinha que serve café, virou poeira brilhante no chão do meu penthouse em Belo Horizonte.
Mas não foi o suficiente. Nada era o suficiente para aplacar a queimação que subia pelo meu peito.
— FILHA DA PUTA! — o grito saiu rasgando a minha garganta, ecoando pelo apartam