Lorena Azevedo
A luz da manhã entrava pelas janelas do hospital de forma impiedosa. Era uma claridade branca, fria, que não aquecia — apenas revelava o cansaço nas olheiras de Tati e o desespero gravado em cada centímetro da minha pele. Eu não tinha dormido. Cada vez que eu fechava os olhos, ouvia o bipe incessante das máquinas da UTI neonatal, um lembrete rítmico de que o coração da minha filha era uma bomba-relógio.
Tati se aproximou com um copo de café de plástico, o vapor subindo preguiçosa