Rafael Ventura
O cansaço não era mais cansaço.
Era peso.
Daqueles que grudam no corpo e fazem até respirar parecer trabalho. Era exaustão pura. Esse peso nos últimos dias parecia ter se concentrado inteiro sobre as minhas pálpebras. Eu não sabia mais o que era um sono contínuo; minha vida tinha se transformado em um ciclo de bips de monitor, cheiro de antisséptico e o medo constante que rastejava pela minha espinha como uma serpente. Eu estava sentado naquela poltrona de couro, e já não sabia