Rafael Ventura
O quarto de hospital estava mergulhado em uma penumbra azulada, cortada apenas pelo brilho fraco dos monitores e pela luz que vinha da fresta da porta. O cheiro de éter e de comida de hospital ainda pairava no ar, mas agora, o som que preenchia o ambiente era a respiração pesada e profunda da Lorena.
Eu estava sentado na poltrona de couro ao lado da cama dela. Minhas costas latejavam, um protesto silencioso de quem não dormia direito há dias, mas eu me recusava a fechar os olhos