Lorena Azevedo
Faz dois dias que o silêncio daquela casa em Santa Teresa foi preenchido pelo eco de um adeus apressado e pelo gosto de um beijo que eu não deveria ter permitido. Eu me pego olhando para o teto, no escuro da madrugada, e meus dedos sobem involuntariamente aos meus lábios. Ainda sinto a pressão da boca do Rafael, a urgência desesperada com que ele me segurou, como se eu fosse a única coisa sólida em um mundo que estava desmoronando para ele.
Eu não deveria ter retribuído. Cada fib