Rafael Ventura
O som dos pneus da caminhonete esmagando o cascalho da entrada da Fazenda Ventura foi o primeiro acorde de uma melodia que eu não ouvia há dez meses: a paz. Estacionei o carro de qualquer jeito, sentindo o ar puro do interior de BH limpar os resquícios do cheiro de hospital e de desinfetante que pareciam ter impregnado até nos meus ossos. O sol da tarde começava a cair, pintando o horizonte de um laranja que ardia como o fogo que eu tinha acabado de atear na minha antiga vida na