Lorena Azevedo
O som da máquina de espresso parecia um trovão dentro da cafeteria. Eu estava limpando o balcão pela terceira vez, um movimento mecânico, sem foco, enquanto meus olhos se perdiam no movimento da rua. Três dias. Apenas três dias me separavam do momento em que eu veria o homem da minha vida sentado naquele banco de madeira fria, sendo julgado por um crime que ele nunca cometeria.
O medo não era pela culpa dele. Eu sabia quem era Rafael Ventura. Eu conhecia cada cicatriz das suas mã