capítulo 77

– NARRATIVAS EM DISPUTA

WILLIAM

A culpa não vinha acompanhada de imagens claras.

Era pior do que isso.

Vinha em fragmentos.

Sensações soltas. Um cansaço que não fazia sentido. A impressão incômoda de ter cruzado uma linha sem lembrar quando nem como.

No espelho do banheiro, encarei meu próprio reflexo.

Eu parecia o mesmo. Mas não me sentia.

Desci para o café em silêncio.

Daiane já estava lá.

— Dormiu melhor? — perguntou, com a voz baixa, quase cuidadosa demais.

— Não — respondi. — Ainda estou confuso.

Ela pousou a xícara devagar.

— Você estava muito mal ontem — disse. — Eu fiquei preocupada.

— Fiz algo… errado? — perguntei, direto.

Ela me olhou como quem hesita. Como quem mede palavras.

— Você estava fragilizado — respondeu. — E eu fiquei com você. Só isso.

O “só isso” ecoou alto demais.

Assenti, mesmo sem convicção.

Eu confiava nela. Ou pelo menos… queria confiar.

DAIANE

Ele não lembrava.

Exatamente como eu previa.

Não precisei exagerar. Nem inventar detalhes.

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