CAPÍTULO 53 – O QUE MUDA SEM SER DITO
ANA
Na manhã seguinte, acordei com a sensação estranha de quem atravessou um limite invisível.
Nada ao meu redor tinha mudado — o quarto era o mesmo, a luz entrando pela janela também —, mas eu sabia que algo dentro de mim não estava mais no mesmo lugar.
O beijo não foi um impulso.
Foi um reconhecimento.
Levantei devagar, respirei fundo e me lembrei do mais importante:
Theo.
Ele não podia sentir nada diferente.
Nada pesado.
Nada confuso.
Desci as escadas co